O debate político entre José Sócrates e Francisco Louçã foi um confronto em que ficou evidente que o BE, quanto a propostas de soluções programáticas para a governação, apresenta-se muito frágil porque continua a revelar-se mais um partido de protesto e menos um partido com efectivas medidas políticas de Estado e governabilidade. Nas questões sensíveis da nossa política económica e fiscal, o líder do BE avançou com casos, empresas, nomes (até terá razão?!), mas as suas propostas, nestas áreas, mostram-se devastadoras para a classe média. Parece que o BE parou no tempo e vêm-me à memória, os primeiros anos da democracia, aqueles anos do após o 25 de Abril, tempos da propaganda das nacionalizações e da reivindicação proletária que foram insistentemente marteladas e tão nefastas se revelaram que, ainda hoje, a economia do país ressente os seus efeitos. Afinal, apoderando-me, por instantes, da visão bloquista, posso concluir que as medidas de política económica e fiscal do governo de José Sócrates até nem conseguiram tratar assim tão mal e acabar com a classe média, aquela que aguenta todas as crises e mais uma, porque o BE ao propor, em termos de IRS, o fim da dedução dos benefícios fiscais, quer guardar para si, a machadada final e não sei se ela, a classe média, que parece ter entrado em estado de contínuo definhamento, não passará à diluição final. O BE deixa transparecer que não quer ricos, nem remediados, nem investidores privados, nem gestores competentes na actividade privada, mas sobreviventes de uma política igualitária e subsidiária. Bizarro, pensar assim, num país da União Europeia. Para os resistentes da classe média, já não vão restar “as armadilhas, os benefícios, as esquinas” da política fiscal e que Francisco Louçã vislumbrou algures. A classe média tem de virar uma classe de Chicos Espertos para continuar a resistir aos desaforos e às desconsiderações dos políticos e governantes que, despudoradamente, continuarão a contar com os seus sacrifícios. Haja paciência para tanta ignorância, mesquinhez e muita resistência para os aturar.
publicado por momento do café
08 Set 09
Com interesse, tenho vindo a seguir os debates políticos entre os líderes dos partidos que têm tido assento parlamentar. O debate entre Jerónimo de Sousa e Paulo Portas foi o mais esclarecedor e nele lançaram-se críticas ao actual governo do PS, que ambos elegeram como o adversário político comum, com argumentos e com a apresentação de soluções diferentes e de acordo com os princípios ideológicos que os distingue e os coloca à direita e à esquerda no espectro das ideias políticas. Embora em campos políticamente opostos, não se atropelaram nas suas exposições sobre os temas mais sensíveis na governação. Tanto um como o outro líder p e conhece bem quem são os seus eleitores, estes não fazem viragens de 180º, nem se confundem nas suas escolhas e como não paira no ar o receio de fuga recíproca de eleitores de um partido para o outro, os líderes souberam aproveitar o debate para contribuírem para um melhor esclarecimento de todo o eleitorado português para que este, no momento que vai depositar o seu voto na urna, mostre o que quer e, principalmente, o que não quer para Portugal e saiba escolher com responsabilidade.
publicado por Mariam/momento do café
04.Set 09
Tudo acontecia até 24 de Abril de 1974. A palavra democracia não fazia parte do léxico dos políticos daquela altura. Tinha-se medo de falar, mas falava-se. E escrevia-se. A censura truncava o que não era politicamente conveniente para a época, fazia o seu trabalho em prol de um poder político dominador, castrador da pluralidade político-ideológica. Todavia, havia muita gente com consciência do que se passava neste país, tinha-se esse conhecimento e assumia-se a consequência do delito de opinião ou da atitude crítica perante a censura institucionalizada que se reconhecia exposta e imposta e, sobretudo, coartava a expressão da liberdade de pensamento. Alcançada a democracia com o 25 de Abril, pensar-se-ia que, passados trinta e cinco anos, ela estaria definitivamente instalada em Portugal e que nunca mais a censura reinaria por aqui. Mas não. Revivem-se momentos em que parece que a livre expressão sofre um constrangimento de cariz político como se a quisessem tolher sob o jugo de um novo estilo censura, mais velada, que se vai manifestando pontualmente até ao momento em que ostensivamente se revela como ameaça à democracia.
Depublicado por momento do café
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