sexta-feira, 19 de junho de 2026

 28 Abr 09

 A liberdade sonhada está a sofrer de uma sintomatologia que atinge e confrange o quotidiano democrático de todos nós. A 25 de Abril de 1974, o sonho concretizava-se para quem tinha consciência política e percepção do que se passava no país. O sonho não se confinava àquele país de então que restringia o direito à liberdade de expressão, que negava a escolha e o voto livre nas urnas, que impunha o dever do silêncio. O sonho voava livre, sim, para além dos limites impostos para não se deixar vergar ao poder autoritário que não admitia a contestação nem a subversão dos governados. Havia, isso sim, o direito ao livre pensamento, à consciencialização e à esperança. Para quem era jovem, fazia sentido agarrar a liberdade que lhe era oferecida e com que sonhara. Até então, residira o medo de emitir opinião diversa do poder instituído e, em oposição, alastrava a curiosidade de colher conhecimento e informação sobre o que se passava para além da fronteira. Tudo circulava em surdina entre quem se confiava. Clandestinamente, a informação chegava. Mas quantos, agora que se dizem democratas, sabiam lá, ou sonhavam sequer, que a democracia e a liberdade um dia chegariam e o que significavam, em termos práticos, os direitos e os deveres de cidadania numa sociedade justa? Mas o que provocou este estado a que liberdade e democracia foram reduzidas? Todo o espírito de liberdade prometida foi pervertida e, por arrasto, a democracia desvirtuada. Passados os desmandos surgidos após 25 de Abril, o PREC e o verão quente de 75 e mais tarde, nos anos 80, as FPs25 de Abril,  para chegar o momento de muitos outros se perfilarem para não perderem o comboio da democracia de que se apropriariam. Prepararam-se, aperceberam-se das vantagens em enveredar pela prestação de altos serviços ao país, pelo povo e pela democracia, e valeriam todos os sacrifícios. A prática de um cargo político, além de prestigiante, possibilitar-lhes-ia a movimentação nos meandros do circuito político, a construção do “carreirismo na política” e a obtenção de um currículo adequado e bem conseguido para dele prover e aceder, no futuro, a um lugar oferecido pelos poderes satélites que circulam e, tantas vezes, definham o poder do Estado. O povo acreditou e tinha esperança. Simplesmente, foi escolhendo quem, com tal "gesto de altruísmo patriótico", se propunha a representá-lo, em nome da “tal democracia”. O resultado só poderia ter sido esta promessa de enganos...

1 comentário:Mãe,

___ Estou muito orgulhoso de ti. Um dia destes convidam-te para fazer comentário político na televisão. O Marcelo que se cuide, pois ainda perde o lugar.

Beijo. Gonçalo.

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