A Páscoa reacende a lembrança dos malmequeres brancos que cobriam o jardim da Casa do Torreão. E essa lembrança deixa reavivar, também, a imagem do quintal onde a cor branca dos jarros sobressaía por entre as largas folhas verdes que circundavam cada um dos três grandes tanques de pedra. A Páscoa faz pressentir o aroma da velha laranjeira lá bem ao fundo, na parte mais alta do quintal, onde o brilho alaranjado dos seus frutos contrastava com o verde brilhante das suas folhas. A Páscoa reabre-se para os rituais religiosos que se recordam, que se não questionavam e preenchiam as cerimónias da semana santa: a bênção dos óleos sagrados, o lava-pés, os laudes de sexta-feira santa, a vigília pascal e a festa da ressurreição. A Páscoa relembra o estalar dos foguetes rompendo o céu primaveril, anunciando a visita pascal. A Páscoa retoma a memória da luminosidade num domingo de abril enriquecido pela festa da ressurreição de Cristo e realça o colorido das amêndoas doces que outrora eram oferecidas em saquinhos de cambraia e renda, fechados com fitinhas de cetim. A Páscoa cumpre a nostalgia de Páscoas revisitadas.

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