apontamentos (da mariam)
Adito o prazer do café ao gosto pela escrita.
mariam
🌸Frase Favorita:
“É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.” Albert Einstein
apontamentos (da mariam)
Adito o prazer do café ao gosto pela escrita.
mariam
“É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.” Albert Einstein
04 Dez2013
Sim e porque é dezembro, entrego-me ao direito de sonhar. O brilho do sol, em céu azulado, traz a magia que chama ao alheamento. Se não fossem as decorações que já enfeitam as ruas, certamente esqueceria que o Natal se aproxima e o inverno virá para ficar. É bom sentir este dezembro luminoso, um brinde do outono que condescende e deixa “fugir” a realidade que, embrulhada em cor parda, fica ofuscada, também, pelo brilho dourado e prateado da decoração natalícia, luz e cor, que enche as ruas. Esqueço o frio que faz. Enquanto caminho, sinto o sol reconfortante e o Natal que já se instala. Saboreio o encantamento e sorrio. Por escassos momentos, é certo. E vou trauteando a canção natalícia que ecoa e me acompanha até ao momento em que tudo se esvai. Olho alguém com quem me cruzo. Sol, Natal e música desaparecem. A magia vai-se. Alguém carrega a tristeza e traz a preocupação estampada no rosto. É a imagem de agrura e sofrimento que atinge tantos, tantos… e a ilusão quebra-se. A realidade retoma o tom pardo nestes dias de dezembro que correm com o azul à vista, onde o sol que se faz presente. E se sente.
05jul2012
Gente que habilmente cimenta o “carreirismo político” e atinge um indiscutível know how , o engenho e a arte de ganhar prerrogativas, exercer influências e mover interesses que lhe traçam e enriquecem um currículo bem conseguido, invejável, plenamente adequado para acessão ao poder.
20 JUL2011
23 Dez2011🎅
Naquele tempo, lá em casa, a árvore de Natal e a figura do Pai Natal não faziam parte do nosso Natal. O presépio é que nunca faltava. Era a presença emblemática do Natal que se vivia em família. Lembro-me que, à meia-noite, o Menino Jesus era colocado nas palhinhas do presépio. Era a hora, então, de pôr os sapatinhos junto ao fogão que ficava sob a chaminé ⁷da cozinha e ir para a cama. Mas a ânsia de ver os presentes que o Menino Jesus trazia não nos deixava dormir e obrigava-nos a madrugar para espreitar os presentes. Quantas vezes, eu e os meus irmãos até já os tínhamos descoberto num dos guarda-fatos lá de casa. Mas guardávamos segredo. Bem escondidos! - pensava a mãe. Era uma alegria...
29 Mar2012
A palavra não está fácil. E não me apetece desbaratá-la inutilmente. Nem gastá-la no quotidiano verborrágico sem sentido. Guardo-a e protejo-a da vulgaridade. Por isso, remeto-a ao silêncio. É tempo de pausa. Momento do café no silêncio da palavra.
18mai2012
A semana foi muito marcante para o João. Completou dez anos e fez os exames de aferição do 4º ano. Como o tempo corre! Uns "dez reis de gente" que nasceu num dia de maio, quando a tarde começava a dar lugar à noite, já tem 10 anos. E, como de costume, a família cantou-lhe os Parabéns e a outra avó realçou a circunstância do João passar a escrever a sua idade com dois dígitos e leu-lhe um poema escrito pelo avô Lúcio.
Em 29 de setembro de 1963, nascia Mafalda do cartoonista argentino Quino. Mafalda, a criança de 6 anos, lúcida, crítica e politizada questionava tudo. Temas como o capital e o modelo burguês da sociedade de então, o imperialismo e o comunismo, a guerra fria, o racismo e as injustiças sociais estavam presentes e embaraçavam todas as outras personagens com quem interagia. Fã dos Beatles, Mafalda detestava qualquer tipo de sopa e afirmava que "a sopa está para a criança como o comunismo está para o capitalismo". (imagem internet)
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2 COMENTÁRIOS:
olá minha amiga. Eu adoro a Mafalda ainda hoje e a minha filha mais velha também tanto que lhe ofereci um livro enorme pelo Natal. É muito engraçada. Um beijinho e tudo de bom Mariam, obrigada pela sua amizade.Bom resto de semana.
Fátima Soares a 29 de Setembro de 2011 às 18:01#
Minha Amiga
07Out2011
São três mulheres: Ellen Johnson-Sirleaf, a presidente da Libéria, Leymah Gbowee, a ativista liberiana e Tawakkul Karmana, a jornalista iemenita. Não se acomodaram à qualidade de mulheres. Nos seus países, tão adversos à condição feminina, à democracia e à liberdade, souberam assumir as rédeas da mudança em prol da paz e dos direitos humanos. Parabéns!
25 AGO2011
África tão longe, momentos do passado e sem saudosismos. Passado que é revisitado com distanciamento, sim, e pelo prazer de trazer África até ao presente e colocá-la mais "perto" no tempo e no espaço geográfico. Revisito passado para reencontrar África que toma o tom dourado do capim seco e espalha o intenso cheiro a fumo da queimada, ao longe, quando a estação seca chega e o cacimbo se instala na savana. África que bebe o perfume das acácias rubras que a pontilham de vermelho fogo e que se enfeita com os tons garridos e quentes, matizes de fogo e paixão que atingem o todo o seu esplendor a cada pôr-do-sol. África que, à sombra do cajueiro na berma de uma qualquer estrada, me refresca com o suculento caju. África que me inebria com o aroma e o sabor do dendê e do jindungo. África muamba, calulu, muzonguê. África que pressinto sensual, perfumada, passo gingado de quitandeira dengosa que passa com a sua kinda vendendo as laranjas do Loje...
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16 Nov2012
País que carrega o preço da crise que lhe dilacera o presente. A austeridade que lhe tolhe ânimo. Os sacrifícios que lhe coartam a esperança. Os sonhos legítimos adiados. Sem prazo. País que carrega a expetativa traída. O desalento que o faz olhar o futuro sem perspetiva de realização. A tristeza que lhe esfrangalha o otimismo. Isto é Portugal.
07 FEV 2013🗽
"Há momentos na vida de todo político em que o melhor que ele pode fazer é não despregar os lábios."
Abraham Lincoln
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27 Mar2013
É primavera e ele está de volta. Ele que tem o nome do filósofo. Ele que agora também é dado à filosofia, como o outro, o grego. Ele está, pois, de volta e consta que será comentador na RTP. Nada que surpreenda porque na rádio ou na televisão é tarefa a que se dedicam alguns políticos e uns tantos ex-políticos encostados "às boxes". Por que não aceitaria tal tarefa, o nosso mais recente filósofo? Quero saber o que tem para nos dizer! Quem sabe se não pedirá desculpa por nos ter metido numa camisa de 7 varas! Ou se lembre, talvez, que temos memória curta e espere que lhe digamos: "Volta Sócrates, estás perdoado!" Ou, então, neste tempo de silêncio para reflexão filosófica, tenha concluído que o velho ditado popular "atrás de mim virá quem de mim bom fará" possa aplicar-se, a seu favor! É esperar para ver o que Sócrates, em modo comentador, tem para dizer sobre a nossa atualidade política. Por hoje, fico à espera da prometida entrevista na estação pública de TV. Confesso, estou curiosa.
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08 Nov2013
Novembro, sob um manto chumbo e escrupulosamente marcado pelo calendário equinocial, envolto na atmosfera húmida e chuvosa que lhe definha os dias, lá se vai consumindo. E há um sol enfraquecido que se perde no cinza-celeste que lhe encobre o brilho envergonhado. É um sol macilento que, vergado à impetuosidade da chuva, mal se mostra. Mas é novembro! E é outono! Até a ilusão, ainda que tímida, aguenta o desalento, sacode a torpeza, e espera que se cumpra a tradição. Que o verão de S. Martinho aconteça! Que os tons azuláceos se esbatam pelo céu, tendo o sol como único protagonista. Só por uns dias. Recalcular o ânimo é preciso.
11 Out2013
E agora vem o aumento da taxa audiovisual!! Socorro! Agarram-se à política, estendem a mão e vão-nos ao bolso para continuar a alimentar uma estação pública de televisão – RTP1, RTP2, RTP informação, RTP Madeira, RTP Açores, RTP Memória, RTP Internacional, RTP África - porquê e para quê, tanto canal? Nós pagamos, não é?
04 FEV2014
Fevereiro, que fez uma boa receção do testemunho acinzeirado e sombrio que janeiro lhe passou, prossegue encharcadamente chuvoso e frio, exposto à ventania agreste que sopra sem dó, veste o ar plúmbeo que amedronta o sol que se mantém escondido, apesar de desejados o seu calor e o seu brilho, nestes dias de invernia. Fevereiro, tão pequeno, mas enormemente aborrecido!
15 Mai 2014
Estou de ressaca! Sim, de sofrimento e tristeza. Ainda não é desta que a Taça da Liga da Europa vem para a Luz. Mas como não gosto de acalentar as mágoas, agora resta o momento de tocar a jogar a bola para a frente. E com esperança e ânimo que, no horizonte, está a Taça de Portugal.
16 Nov2011
Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro.
Lisboa ,1914 -Fevereiro
in "Poemas" de Mário de Sá-Carneiro, (pág.42), Edição Teresa Sobral para Círculo de Leitores, 2004
21Nov2011
Há dias em que acordamos de mal com o mundo e a vida. E esta nem nos corre mal. Só que a má disposição faz-se presente e sentimo-nos out. E embarcamos na onda da lamentação. Queixamo-nos do sol que brilha mas não aquece ou da chuva que, batida pelo vento bravio e frio, nos encharca até aos ossos. Queixamo-nos do autocarro que chega atrasado e, penosamente, enfrentamos a viagem como sardinha enlatada. Queixamo-nos do colega de trabalho que fala, fala. Como está maçador! Ou da colega que só fala dos trapos que a moda dita. Como parece fútil! E nem o chefe escapa. Competente mas pouco carismático. Ou incompetente na proporção direta da prepotência que exerce. Quando acontece assim, agarramos o lado "chato" da vida e um rol de lamentações comezinhas sucedem-se. Um estado de queixume que não nos deixa disponível para apreciarmos a vida e, nesse dias, ela passa-nos ao lado... Não é a vida que nos finta, é o nosso mau humor que a evita.
15 AbrI2013☕️
O momento para saborear um café. O gosto pela escrita, sem pretensões. Eis as variáveis que quebram a rotina e dão origem ao Momento do Café. E são 4 anos que se completaram no dia 3. Nem sempre motivação, inspiração e interesse são conciliáveis. Há disponibilidade que não conjuga com ânimo. Por isso, a escrita em modo mais espaçado no calendário. Resta a vontade de continuar para não desistir.
24 AGO2013 📂
Surpresa, surpresa! Pois é, andavam aos papéis… e eles escafederam-se. Este verbo, quando pronunciamos as suas últimas sílabas, lembra um aroma putrefacto que empesta os ditos papéis. Aqueles que se procuravam. Os dos swaps. Que chatice. A palavra swaps já chegava aos ouvidos num som sibilino. Dava uma sensação desagradável e enigmática. Tocar-lhes devia causar mal-estar, por isso, imaterializaram-se. Por via dos sentidos, já só falta saber o paladar (amargo, não é?), não vá alguém tê-los tragado.
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23Jul 09
Fim de Junho de 2009. Roma, em pleno Verão. Para turistas, asiáticos vendem castanhas na via pública. Com afixação de preços para que os agentes económicos não sejam alvo de uma fiscalização da ASAE, lá do sítio.
Fotos enviadas por FO, na sua passagem por Roma, via E-mail. Thank you, my brother.
Algo intrigava a população daquele jardim quadrilongo, onde a rosa se impunha pela sua cor e o perfume dominante. Ali, a oeste da Ibéria, as formiguinhas intelectuais fervilhavam com ferroadas de raiva, enquanto os grilos cantantes estridulavam de revolta. Um facto toldava o ambiente democrático do jardim.
Nem os grilinhos, nem as formiguinhas mostravam vontade de assumir um esclarecimento sobre o acontecimento que veio a lume, provocou tanto ruído e colocou tantas dúvidas aos habitantes daquele jardim quadrilongo. Formiguinhas, vespas, gafanhotos, louva-deus, escorpiões e outros insectos e aracnídeos questionavam de que lado estava a verdade ou quem é que mentia.
Tanto o dirigente do grupo dos grilídeos, como o dirigente do formigueiro gladiavam-se e no centro da luta, uma joaninha que afirmou que fora, insistentemente, seduzida pela cor, pelo aroma do jardim e pelo canto dos grilinhos. Procura-se, pois, a tal joaninha para que venha pôr fim a todo este imbróglio que pôs o jardim em polvorosa . Os seres vivos que por ali pululam, têm o direito de conhecer quem não diz a verdade...
22 JuL2009
É no pressuposto de que Rui Rio nunca será vereador sob a sua presidência, na Câmara do Porto, que Elisa Ferreira traça um paralelo entre a sua posição de não ser vereadora, caso perca as eleições a favor de quem é, afinal, o seu opositor mais directo. Em minha opinião, o actual Presidente da CM também não teria perfil para aceitar o lugar de vereador. Enquanto isso, prudentemente, Elisa Ferreira procura apoio nas personalidades de grande influência na vida social e económica da cidade. É urgente a revitalização do Porto que só fervilha durante a semana e enquanto a noite não se instala decididamente, porque quando ela chega, já toda a gente está de regresso a casa, nos concelhos limítrofes e a cidade fica deserta, assustadora, exceptuando-se a zona onde ficam os teatros e se houver espectáculos, em exibição. Ao fim de semana, mais precisamente ao domingo, é confrangedor o abandono que se verifica na cidade. Quase não há trânsito, sendo isso o menos importante, o que faz mais tristeza é ver-se muita pouca gente pelas ruas mais populares da cidade. Concordo que são urgentes medidas no sentido da mobilizar a população, o poder autárquico e os agentes socioeconómicos para que revitalização do Porto se torne um objectivo realizável.
08 SeT 2009
Com interesse, tenho vindo a seguir os debates políticos entre os líderes dos partidos que têm tido assento parlamentar. O debate entre Jerónimo de Sousa e Paulo Portas foi o mais esclarecedor e nele lançaram-se críticas ao actual governo do PS, que ambos elegeram como o adversário político comum, com argumentos e com a apresentação de soluções diferentes e de acordo com os princípios ideológicos que os distingue e os coloca à direita e à esquerda no espectro das ideias políticas. Embora em campos políticamente opostos, não se atropelaram nas suas exposições sobre os temas mais sensíveis na governação. Tanto um como o outro líder sabe e conhece bem quem são os seus eleitores, estes não fazem viragens de 180º, nem se confundem nas suas escolhas e como não paira no ar o receio de fuga recíproca de eleitores de um partido para o outro, os líderes souberam aproveitar o debate para contribuírem para um melhor esclarecimento de todo o eleitorado português para que este, no momento que vai depositar o seu voto na urna, mostre o que quer e, principalmente, o que não quer para Portugal e saiba escolher com responsabilidade.
14Set 09
Terminados os debates entre os líderes dos partidos que desenham o leque político do nosso Parlamento, seguir-se-á a campanha eleitoral para as Legislativas. Espero que a intolerância e a falta de respeito não se instalem durante a campanha eleitoral e que haja elevação democrática entre todos os partidos políticos concorrentes. Ataques que possam vir de partidos políticos, em tempo de eleições, cruzam objectivos bem direccionados, com as atroadas e o “costumeiro” comentário que, por vezes, tangem a maledicência e não favorecem quem usa estes meios e, quantas vezes, revelam resultados de sentido contrário nos eleitores que acabam por depositar o seu voto no partido alvo de tais acções. Para motivar e captar os votos dos eleitores, cabe a cada partido político, durante as sessões de campanha eleitoral, comunicar, de forma clara, os conteúdos dos seus programas políticos, não esquecendo, obrigatoriamente, aquelas medidas mais oblíquas que poderão ser mais difíceis para os cidadãos, em termos de compreensão e posterior aceitação. Façam-no, por respeito aos eleitores. No entusiasmo e na exaltação verbal da campanha eleitoral, haverá a tentação de fazer promessas que sabem que não poderão cumprir. Tal atitude é enganar despudoradamente o eleitor que não gosta que o tomem por ignorante ou parvo. É certo que cada partido político tem como meta o aumento do seu “score”, mas deve fazê-lo com dignidade porque, para truques eleitorais, o troco do eleitor será de descrença e de indignação, o estado de alma e o sentimento de retorno, que os políticos merecem quando não respeitam os compromissos que assumem perante o eleitorado.
17Set2009
Portugal encontra-se remetido ao estado de stand-by governativo, respirando, descrente, a atmosfera de uma promessa de enganos que cada um dos partidos políticos quer oferecer. A azáfama eleitoral percorre o país de lés a lés e os líderes políticos desdobram-se para estarem presentes em todas as arruadas, sessões de campanha eleitoral, comícios e jantares que se organizam por aí. No ar, entre os partidos políticos, cruzam-se a crítica, a acusação, os erros e a inacção ideológicas, descontextualizam-se e distorcem-se afirmações. Os espaços informativos reportam os passos de cada um dos líderes, encharcam-nos com as repetitivas propostas programáticas, enfatizando as expressões que, apregoadas do palanque, mais impacto poderão causar nos eleitores, no momento da votação. Evidenciam-se as diferenças entre os principais líderes. Um proclama-se o arauto da confiança, da determinação e iniciativa e defensor do positivismo na acção. Outro apodera-se dos valores na política e revê-se como a guardiã da verdade. Um outro sustenta a clareza e coerência políticas. Ainda outro proclama a esquerda na defesa dos trabalhadores e a necessidade da ruptura e da mudança. Por fim, mais outro apresenta-se como o cruzado de uma esquerda mais moderna como alternativa de confiança política. E não faltam jornalistas experts em política, comentadores, analistas e toda uma casta de polítologos que esmiúçam, analisam, abalizam palavras e acções dos líderes e seus servidores mais directos e o resultado é a amálgama de opiniões, conjecturas, especulação de soluções políticas, concretamente inconclusivas, nada esclarecedoras para os portugueses. Estas semanas de campanha eleitoral são intoxicantes e não sei se a maioria dos portugueses ainda dará atenção aos tempos de antena concedidos, por lei, aos diversos partidos políticos. O mundo continua girando, enquanto Portugal, quase em coma, vai girando à volta da campanha das Legislativas de 2009.
18 SeT2009
Na campanha para as eleições legislativas, a maioria dos principais partidos políticos limita-se a desbobinar uma listagem slogans, estrategicamente publicitados, assentes em propostas constantes do programa político e, a par, arremessa os ataques pessoais, faz circular a maledicência para dar nas maturrangas de todos e de cada um dos adversários políticos e pôr a descoberto erros e fraquezas. Tudo é motivo e pretexto para ser devidamente anunciado porque o alvo das campanhas é o eleitor e é preciso cativá-lo. No momento do entusiasmo e de excitação da campanha eleitoral, torna-se imprescindível referir, mais uma vez, o trunfo, a obra ou a acção, que já são pretéritos, ou um novo trunfo, uma promessa que, duvidosamente, se perspectivará como exequível. É uma atitude de risco que cada partido político corre porque as promessas não cumpridas podem levar o eleitor ao distanciamento e postergação. Mas a campanha eleitoral não passa de uma desenfreada atroada de prometimentos e compromissos eleitorais e, o povo português, uma vez mais, parece apostar no desinteresse pela classe política, estado de alma que resulta da descrença nos actores da política. A campanha eleitoral resume-se à arte da galopinagem e à exoração de votos porque sem os ditos cujos, afinal, nem o número de deputados de cada partido político cresce na Assembleia da República, nem se alcança a meta mais ambiciosa, a cadeira do poder executivo.
19 Set2009
Há, afinal, uma razão subjacente à proposta pelo BE no seu Programa Eleitoral na questão dos PPR's (pág.53). Agora veio a conhecimento público que o dirigente do Bloco de Esquerda havia investido em PPR's. E não só ele, conforme o Expresso. Ele PPRrou e outros do BE também PPRaram. Como não dá retorno, lá se vão os benefícios fiscais. Eu tomo nota do conselho e não PPRrarei! Nos privados.
publicado por momento do café/mariam 🐸
23 Set2009
O Outono chega cálido, oferecendo dias ensolarados como se quisesse apoderar-se do ardor e da alegria do Verão que não pôde dilatar a sua permanência entre nós. O Outono gosta de nos encantar com as sobras que o Verão generosamente deposita em suas mãos para cumprir a data da partida que calendário lhe impõe. Entra colorido e orgulhoso, mostrando todo o esplendor das suas tonalidades ao sol ameno que se atreve a mergulhar a luz e o brilho na atmosfera outonal que silenciosamente nos vai envolvendo. Não tarda muito que o Outono, consciente de que é dono do seu tempo, afaste essa réstia de sol e nos imponha aquela ventania fria e desagradável que se encarrega de estender, violentamente sobre o chão, um tapete de folhas secas de diferentes tons que se conjugam perfeitamente na paleta de cores que só a natureza sabe pintar. Folhas que teimam em voar e rodopiar em desespero como se quisessem resistir ao destino de serem pisadas friamente por transeuntes indiferentes ou, tantas vezes, pontapeadas ao som das vozes e do riso despreocupado das crianças nas suas ocasionais brincadeiras, a caminho da escola. Murchas pela intempérie e violentadas pela lei da vida, elas suportam a fatalidade do envelhecimento até se finarem encharcadas e putrefactas sob a chuva insistente que o Outono, no lento definhamento dos dias e como prenúncio do inverno, teima em nos presentear.
28 SSET2009
Não vou falar dos resultados eleitorais das Legislativas. Face ao escrutínio, a perspectiva interpretativa de cada um dos partidos políticos mais representativos, de um jeito ou de outro, é de vencedor. Exceptua-se o PSD. Conhecidos os resultados, começou a campanha para as autárquicas. A luta agora é outra. Não faltarão as caravanas, bandeiras e buzinadas que definirão a campanha deste, daquele ou de um outro candidatado. É a azáfama eleitoral para as autárquicas.
publicado por momento do café/mariam🐸
Está prometido aos tripeiros e ao país! É a proposta de um grande programa. O momento para o anúncio foi oportuno. Um prato de lentilhas, perdão, um prato de tripas à moda do Porto.
09 Out2009
O Outono entrara e fora oferecendo as sobras que o Verão lhe deixara na ânsia de partir para cumprir escrupulosamente o calendário e assumir o seu papel noutras latitudes. Entrara tão de mansinho, enlaçara aquela réstia de verão até que sentiu que ela lhe coartava os ímpetos e, sem demora, cansou-se de esconder a sua verdadeira índole sob um céu azul e por trás de tantos dias iluminados e quentes com que presenteara muita gente. Cansado, desenvencilhou-se daqueles restos de Verão que teimavam em iludir todos e que a todos baralhavam. Estava decidido. Chegara o momento de tomar em suas mãos o seu destino e a sua marca como elo de ligação entre o verão e o inverno. Reconhecera que era dono do seu tempo, que o desenrolar dos dias e meses era seu. Quis manifestar toda a sua essência e vontade. Por fim, er tempo de impor a sua verdadeira natureza. Deixou-se de disfarces e lançou-se numa inesperada ventania. Folhas, ressequidas e desorientadas, invadiram e encheram de tons outonais, tão orgulhosamente únicos, todos os espaços nos campos, jardins, ruas, caminhos. Mas ainda não estava satisfeito. E para completar a apresentação de todo o seu quadro estacional, uma chuva impertinente caiu, encharcou violentamente tudo, marcou o fim daquele encantamento com que a atmosfera outonal privilegiara a natureza. Foi como se o Outono quisesse reafirmar o princípio de um tempo que é todo seu.
12 Out2009
Terminadas as últimas eleições agendadas para este ano, só resta esperar que os cartazes que “enfeitam” toda a paisagem, não se eternizem por aí. Os políticos e seus apoiantes deveriam ter o cuidado de limpar os cartazes com o igual afã com que os colocaram nos locais estratégicos para chamar atenção dos transeuntes eleitores. Espera-se que não fiquem por aí espalhados, a perder o colorido, a envelhecer e sem o interesse de quem passa, despertando a crítica pela limpeza que tarda.
13 OUT2009
Ontem, deixei aqui um reparo sobre os cartazes que acabam por perder a cor e vão sendo consumidos pelo tempo que perduram pendurados, por aqui e por ali, depois de passadas as eleições.
No concelho de Matosinhos, por onde passei, tive o ensejo de ver que já começaram a retirar os cartazes de propaganda política. Apraz-me registar o que vi. Espero que a onda não se limite à Senhora da Hora e que o exemplo se estenda e a “limpeza” avance por todo país.
16 Out 09
O tempo urge. Indigitado para primeiro-ministro, é preciso formar o governo. O apoio parlamentar já não é como era. Democraticamente, o povo escolheu uma maioria relativa. A maioria absoluta deu lugar a uma “minoria” que nenhum dos outros partidos políticos do novo desenho da Assembleia da República quer dar a mão. Estes, agora, formam uma maioria. A máscara de arrogância e teimosia que colheu o apoio de uma maioria parlamentar que tão bem o serviu, deu lugar ao propósito dialogante. Foi um rápido e oportuno delete. Seguiu-se um download de brandura, tolerância, uma mostra de humildade para que um dos interlocutores convidados ao diálogo colhesse bem a intenção de governar em coligação ou com acordos parlamentares. Mas não colheu qualquer vantagem. A minoria, resultante da vitória que colheu nas urnas, vai ter que se aguentar “à bronca” para cumprir um programa sozinho.
21Out2009
O Outono, impondo as tonalidades da sua incomparável paleta de cores, no seu ímpeto de complacência, partilhou, por uns dias, a dádiva que o Verão lhe fizera e quis compor, com mais brilho, a atmosfera outonal com que orgulhosamente se instalara. Na posse do encantamento que só os dias quentes e cheios de luz podem conter, quer ressecar as poucas folhas que teimosamente, nas árvores, resistem ao desprendimento que a fustigante e persistente ventania lhes vai infligindo. As folhas que não conseguem resistir, já vencidas, desprendem-se e voando desorientadas, em grupo ou solitariamente, dançam, sobem, rodopiam ao sabor do vento para finalmente poisarem tranquilamente amontoadas e resguardadas, num canto qualquer. É assim que o Outono se revela. É dono do seu tempo e é senhor do seu ímpeto estacional. Tão depressa impõe um céu nublado e cinzento, uma forte ventania, uma chuva pesada e fria que tristemente cai, como tão depressa muda os seus impetuosos intentos, acalma, condescende, mostra-se luminoso sob um sol quente que resplandece num céu limpidamente azul, exibindo-se, só e destacado, num ambiente que só o Outono sabe criar. Então, a tranquilidade envolve toda a atmosfera outonal. Só a inconstância violenta do Outono a pode quebrar. E quando o encantamento se quebra, o Outono traz a intempérie importuna. É o momento que muda, que entristece, que desespera. Resta a esperança que se alimenta do anseio por uma mudança repentina do Outono, pela sua benevolência, por um tempo novo, um tempo de mais agrado. Só por mais uns dias... porque o tempo é todo seu e ele impõe-no a seu bel-prazer.