21 fev2010
👀O MEXERiCO
Foi assim... não é bem assim... é o mexerico. Há sempre novas versões para que o mexerico se imponha e nunca se chegue a saber a razão por que cai no circuito social, mais ou menos alargado, estendido a um universo mais extenso e público ou restrito ao pequeno meio social onde o alvo se movimenta. O mexerico sustenta a mesquinhez dos autores, gente ávida pelo conhecimento dos erros de outrem, pelo descortinar dos seus segredos, gente maodizente que se carrega da sua difusão, que explora a insinuação e suporta a suspeita para que a intriga circule, em roda livre, sem limites, e ampliada no conteúdo, no espaço e no tempo. Enquanto a máscara de impunidade se cola aos autores, a suposição, a especulação, a maledicência, como máscaras da oportunidade, colam-se ao mexerico e conduzem os vistos à difícil gestão de tolerar e resistir ao desgaste emocional e físico a que ficam expostos. O mexerico propaga-se com tal permissividade que o desrespeito desfila pela passadeira linguaraz da sociedade como se uma borracha teve apagado os vestígios de respeito, compreensão e tolerância dos seus autores e seguidores que, não fazendo uma parada para registrar os estragos provocados na vida de alguém, ignoram o estado de alma dos atingidos porque o olhar rapace sobre o sofrimento dos outros não dá tempo para se questionarem... sobrevive à verdade, não morre completamente. Deixa sempre a marca indelével da dúvida.
publicado por momento do café/mariam 🐸.
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