terça-feira, 30 de junho de 2026

Ingenuidade e mérito

 16Fev 10

Há muito, muito tempo, existia, a oeste da Ibéria e plantado à beira-mar, um lindo jardim quadrilongo onde viviam uns gafanhotos gigantes que saltitavam sem limites e, unidos num incontrolável apetite, buscavam o momento de aproximação aos canteiros floridos para que pudessem assaltar todos os recursos que os conduzissem ao mais promissor e farto devorismo. Com ambição voraz, arrastavam muitos outros gafanhotos movidos pela ganância e, como animais predadores que eram, convertiam-se numa praga insaciável que, em operações devastadoras menos claras, desbaratavam as sementinhas que tantos insectos incautos, que neles confiavam, haviam colocado à sua guarda. E por lá se iam instalando aqueles gafanhotos gigantes, máscaras de seriedade que escondiam a avidez pela colheita fácil e provocavam um enorme flagelo predatório no jardim, infligindo danos aos insectos que neles confiaram.  O efeito era inacreditável. No jardim, os insectos que por lá esvoaçavam definiam-nos como gafanhotos gigantes de bem, confiáveis, acima de qualquer suspeita. Confiantes, os insectos, jamais pensariam que tal praga de gafanhotos gigantes pudesse causar tamanha devastação nos canteiros daquele jardim quadrilongo.  E todos os seres que por ali pululavam, tinham como certo que o gafanhoto com a função de supervisão e zelo, insecto cercado de muitos privilégios, estava atento a toda aquela voracíssima onda polífaga dos gafanhotos gigantes. Mas tal acção não acontecia. Inquirido, face ao tumulto predatório detectado, o gafanhoto  zelador  não aceitava, nem sequer admitia quaisquer falhas na sua função de vigilância e zelo... e propalando a sua ingenuidade e credulidade excessiva nos mais destacados gafanhotos gigantes daquela praga destruidora, levou os insectos, que viviam por todo aquele jardim, a ficarem com a sensação de que, ingenuamente, passara ao lado! E pasme-se! Por fim, o mérito e o reconhecimento para o gafanhoto zelador pelo cabal cumprimento das suas funções de zelo. Era  a meritocracia a funcionar com zelo, no jardim quadrilongo, ali, a oeste da Ibéria.

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O mexerico//Não comento mexericos

 21 de fevereiro de 2010

Foi assim... não é bem assim... é o mexerico. Há sempre novas versões para que o mexerico se imponha e nunca se chegue a saber a razão por que cai no circuito social, mais ou menos alargado, estendido a um universo mais extenso e público ou restrito ao pequeno meio social onde o alvo se movimenta. O mexerico sustenta a mesquinhez dos autores, gente ávida pelo conhecimento dos erros de outrem, pelo descortinar dos seus segredos, gente maodizente que se carrega da sua difusão, que explora a insinuação e suporta a suspeita para que a intriga circule, em roda livre, sem limites, e ampliada no conteúdo, no espaço e no tempo. Enquanto a máscara de impunidade se cola aos autores, a suposição, a especulação, a maledicência, como máscaras da oportunidade, colam-se ao mexerico e conduzem os vistos à difícil gestão de tolerar e resistir ao desgaste emocional e físico a que ficam expostos. O mexerico propaga-se com tal permissividade que o desrespeito desfila pela passadeira linguaraz da sociedade como se uma borracha teve apagado os vestígios de respeito, compreensão e tolerância dos seus autores e seguidores que, não fazendo uma parada para registrar os estragos provocados na vida de alguém, ignoram o estado de alma dos atingidos porque o olhar rapace sobre o sofrimento dos outros não dá tempo para se questionarem... sobrevive à verdade, não morre completamente. Deixa sempre a marca indelével da dúvida.

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14 fev10

Um sonido ensurdecedor entoado por número incalculável de insetos de todos os quadrantes daquele jardim quadrilongo à beira-mar, ali ao oeste da Ibéria, ouve-se e vem no mesmo sentido. É o toque de alerta quando a liberdade de zumbir está em perigo. Logo a grilharia, em todas as frentes, ataca aquele ruído. Nenhum dos grilos cantantes desafina a atitude de proteção ao grilo-mor que se vê confrontado com relevações que, alegadamente, aparentemente aponta para o seu desejo de condicionar o zunzum disparado por tantos insetos que se movem naquele jardim, soltando um zunido que o tanto o incomodam. Todos os grilos estridulam quando o canto do patrão grilídeo é exposto ao desconforto da dúvida e planejam ações para que todo zumbido aquele impertinente não o embarace. É no momento “do toca a reunir” toda a família grilídea, é obrigatório que todos os grilos cantem harmoniosamente. Não há lugar para os desafinados, e os grilos fazem o canto do compromisso, entoando o mesmo estribilho e sem alterações: não comento mexericos

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🗳️Votar contra ou abster-se: eis a questão

 🗳️13 Out 10

Sob os desmandos que a incompetência económico-financeira gerou, uma nuvem cinzenta e pesada permanece sobre o presente e o futuro deste país a oeste da Ibéria e à beira-mar plantado. Entretanto, o estridular de quem o governa e o zoar do maior grupo da oposição não passam despercebidos a todos os portugueses que reprimem a raiva e procuram aguentar a luta contra a canga de austeridade que se abateu sobre eles. Olhando este país que definha, o povo interroga-se sobre a votação do Orçamento  do Estado que o governo apresentará e qual será o sentido de voto do PSD: Votar contra ou abster-se: eis a questão!

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Parabéns Tiago

20 Jul09 

 


A 20 de Julho de 2005, nascia o Tiago. Parecia uma amostra de gente e teve de usar roupa destinada aos prematuros de tão pequenino que era quando nasceu. Muito bem disposto e determinado, frequenta o jardim de infância desde os três anos.
Hoje completas 4 anos e neste dia do teu aniversário, Tiago, um beijinho de Parabéns para ti.

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E São Pedro está-se a acabar.../...e outras Romarias

30 Jun09

Com os festejos ao São Pedro, termina o ciclo de festas aos santos populares. A chega ao fim e com ela o lançamento dos balões tão queridos às gentes do norte do País. Os balões emprestam encanto, cor e beleza às festas populares de cariz cristão e oferecem a oportunidade de se reviverem as tradições que são tão ao jeito folgazão do povo português. Umas vezes, lançam-se uns balões, sempre belos e coloridos que, no exato momento do lançamento, recusam a existência fugaz que os acompanham... enquanto outros gostam de patentear a seus olhos da multidão que os observam na única viagem arrojada e triunfal que fazem e, encontrar o brilho de uma existência tão efémera, galgam o céu estrelado, sem amarras, sem planos definidos, ao acaso, até se tornarem simples pontinhos longínquos que vão desaparecer. Eu pertenço à multidão que se delicia com estes balões que iluminam as noites de festa e os olhares com encantamento quando os vêem deslizar pelo céu até se extinguir e para quem é fantasia ouvir alguém dizer: “Ó patego, olh'ó balão!”

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29 Jun09

São Pedro, confesso, não é o santo popular por quem nutro mais afeição. Na terra onde os meus pais nasceram, ele é o santo popular de eleição e este fim de semana será a grande festa, com direito a feriado municipal. Há muitos anos, quando éramos estudantes e sempre que não havia exames a realizar, eu, o meu irmão, o mais novo dos rapazes (são quatro no total e mais velhos) e a minha única irmã, a caçula, por esta altura, já estávamos a passar as férias grandes, lá na terra, porque o meu pai não dispensava a festa de São Pedro. Passara trinta anos em África e esta festa era o pretexto para a confraternização com os amigos de infância e adolescência que também viviam no Porto e regressavam à terra para férias e festejarem o São Pedro. Aliás, a terra era pródiga em festas como a feira de Maio, a grande procissão do Corpo de Deus, em Junho e, em pleno Agosto, aquela cidade enchia-se de emigrantes para a grande peregrinação ao alto da Santa Quitéria. Desse tempo, restam as lembranças de muita gente amiga e familiares dos meus pais que apareciam lá por casa para assistirem à procissão do Corpo de Deus e, no dia da peregrinação, para verem a subida de uma multidão que ia assistir à missa no santuário que fica situado lá no cimo do monte. A casa dos meus pais tinha uma situação privilegiada não só pela sua localização no sopé do monte, mas também pela vista panorâmica que se desfrutava e se estendia sobre a cidade que fica situada num plano mais baixo. O meu pai afirmava que, do torreão lá de casa, a vista alcançava Lousada e Penafiel. Depois a lei da vida impôs-se e já lá vão quinze anos, eu e os meus irmãos vendemos a casa que estava a degradar-se e a sua restauração seria exorbitante para nós e não compensaria, uma vez que raramente lá voltamos e é só para rever os primos mais próximos. A casa foi completamente restaurada por quem a adquiriu e teve de manter a traça original pelo seu passado que reporta ao tempo das invasões francesas, segundo consta. Desde então, nunca mais voltei nem ao São Pedro, nem às festas da terra...

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🦟Poisam como libelinhas

 09 Abr 09

Vão voando por aqui e por ali, ziguezagueando, são rápidas e ágeis a assentar arraiais onde podem alimentar-se de privilégios e troca de favores. Com visão apurada, adaptam-se, às mil maravilhas, a todas as circunstâncias, movem-se subservientes, parasitam em torno do “poder” que veneram e defendem a pés juntos, jurando pela honra que não têm. Justificam e branqueiam, despudoradamente, decisões e erros do chefe porque, compulsivamente, precisam de gravitar à sua volta com uma fidelidade inquestionável. Muda-se o poder, muda-se o chefe, mudam-se os interesses e são-lhes exigidas novas mudanças. Como seres alados providos de asas transparentes e dotados de um campo visual de 360º não se deixam amedrontar perante uma nova situação, usam todo o seu jogo de cintura e persuasão e, como predadores de valores e princípios que são, ei-los a bajular o novo senhor. A gente como esta, eu chamo de “libelinha.”

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🦟

👑Lutam Como Vespas Pelo Poder Político

20 Abr 09

Zumbe, emerge gradualmente, vai crescendo, esta espécie social, a vespa, que se instala em qualquer partido do espectro político. Nidifica e cria a sua metamorfose, uma mudança radical de formatação e de substância estrutural. Em associação com outras, organiza o seu vespeiro no seio do partido. Parasita, retirando os meios para a sua sobrevivência política. Na realidade, tem o papel social de endoparasita. Após a sua eclosão política, instala-se indefinidamente ou, em algumas fases, parasita os sucessivos caciques até à conclusão do seu ciclo de maturação. Dentro do vespeiro, constrói a sua própria verdade, opinião e vontade. Torna-se vespa dominante e dedica-se a prover todos os recursos e meios para alimentar o seu objectivo político, o topo da hierarquia partidária. Assume-se vanguardista, consciencializa o vespeiro, comunica com clareza, é combativo na acção. Usa o ferrão acutilante, adverte o cacique instalado que obstaculiza o seu propósito. Atormenta-o, amesquinha-o, pica-o impunemente, desgasta-o, imobiliza-o para a queda e morte políticas. Torna-se o novo cacique político-partidário. Do vespeiro que "abandona para ser o chefe", emergirá outra vespa...que zumbe.

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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Quadras aos Santos Populares

29 Jun 09

Santos Populares é folia,
alfazema e manjericos.
Respira-se tanta alegria,
muito calor e bailaricos!
*Tukas  

 

São João tem o carneiro, 
São Pedro é pescador
Santo António casamenteiro
É quem faz jus ao amor

*Tukas


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😇😇HÁ LONGOS MESES...

 04  de novembro de 2017

A menos de um mês do Natal e há quanto tempo não escrevo nada, mas não posso imputar a culpa nem explicada esta longa ausência no momento do café com a falta de tempo e o cansaço que sobram da "supervisão" de G+G, modo pilhas longa duração, sempre disponíveis para a exploração e a descoberta, a brincadeira e a malandrice, a alegria e as birras (às vezes) que espalham, a rodos, e muita, muita "asneira" que inventam por todos os cantos da casa. Antes, atribuo-a à existência de uma falha persistente na motivação e que me empurra para um dolce far niente . E, entre as correrias de G+G pela casa, que muitas vezes acabam em preocupações frontais e muito choro, a bolacha que acompanham a Camila, a cadelinha, o ritual de atirar o prato ao ar depois de tudo comido, a competição de "cavalinho andante" que fazem nas cadeirinhas onde se sentam durante as refeições, tudo pode acontecer. Ufa, que desafio!!

Em momento de pausa, ao fim de longos meses, fica um curto registo para que o 2017 não passe completamente em branco. 

https://youtu.be/iihUs-89304?si=UyrsUVGdDNPPwPca




Caetano Veloso Maria Gadú no Porto, Pavilhão Rosa Mota (2)

 11-05-2011

"Shimbalaiê"

 

"Menino do Rio"