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sexta-feira, 5 de julho de 2013

Precisamos de um novo rumo

Sinto e apetece-me dizer que a desilusão tomou conta de nós. Tudo, fomos suportando. Estamos atordoados. Em pleno verão quente, atiram-nos um balde água fria, ou antes, gelada. Atingiu-nos em cheio. Atingiu, também, o governo e foi perturbador. A crise veio à tona. Estamos expectantes. A incerteza e o medo tomam conta do nosso quotidiano. De falhanços, incompetência e teimosia andamos fartos.  Precisamos de um novo rumo.  
   mariam in http://momentodocafe.blogs.sapo.pt/ (excerto)

quinta-feira, 27 de junho de 2013

A festa de S. Pedro e outras romarias

São Pedro, confesso, não é o santo popular por quem nutro mais afeição. Na terra onde os meus pais nasceram, ele é o santo popular de eleição e este fim de semana será a grande festa, com direito a feriado municipal. Há muitos anos, quando éramos estudantes e sempre que não havia exames a realizar, eu, o meu irmão, o mais novo dos rapazes (são quatro no total e mais velhos) e a minha única irmã, a caçula, por esta esta altura do ano, já estávamos a passar as férias grandes, lá na terra, porque o meu pai não dispensava a festa de São Pedro. Passara trinta anos em África e esta festa era o pretexto para a confraternização com os amigos de infância e adolescência que também viviam no Porto e regressavam à terra para férias e festejarem o São Pedro. Aliás, a terra era pródiga em festas como a feira de Maio, a grande procissão do Corpo de Deus, em Junho, e, em pleno Agosto, aquela cidade enchia-se de emigrantes para a grande peregrinação ao alto de Santa Quitéria. Desse tempo, restam as lembranças de muita gente amiga e familiares dos meus pais que apareciam lá por casa para assistirem à procissão do Corpo de Deus e, no dia da peregrinação, para verem a subida de uma multidão que ia assistir à missa no santuário que fica situado lá no cimo do monte. A casa dos meus pais tinha uma situação privilegiada não só pela sua localização no sopé do monte, mas também pela vista panorâmica que se desfrutava e se estendia sobre a cidade que fica situada num plano mais baixo. O meu pai afirmava que, do torreão lá de casa, a vista alcançava Lousada e Penafiel. Depois a lei da vida impôs-se e já lá vão quinze anos, eu e os meus irmãos vendemos a casa que estava a degradar-se e a sua restauração seria exorbitante para nós e não compensaria, uma vez que raramente lá voltamos e é só para rever os primos mais próximos. A casa foi completamente restaurada por quem a adquiriu e teve de manter a traça original pelo seu passado que reporta ao tempo das invasões francesas, segundo consta. Desde então, nunca mais voltei nem ao São Pedro, nem às festas da terra...
mariam (in http://momentodocafe.blogs.sapo.pt/)  

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Quadra aos Santos Populares

Tanto manjerico ao luar,
Santos Populares são folia.
Tantos foguetes a estalar
Como cascatas d' alegria.
                                   mariam

domingo, 19 de maio de 2013

Quem vai desfraldar a faixa de "Campeão"? o dragão ou a águia?

Amanhã, Porto e Benfica vão à luta com diferentes adversários. Dragão e Águia, ambos de asas e garras, estão preparados para a luta final que cada um deles vai ter de enfrentar até ao último minuto e pelo título de Campeão de l Liga. Bem, vamos ver se a equipa do Benfica já está curada da Síndrome Após o 90º minuto e a Águia encontra forças para “rapinar” a Taça de Campeão Nacional. Entretanto, o Dragão bem pode usar última e inesperada chama e “incendiar” a Mata Real e dos salvados trazer a tão cobiçada Taça que, afinal, está a escassos “Pa(ç)ssos” de agarrar. Vamos ver quem vai poder desfraldar a faixa de “Campeão” (que nisto não há preparação de improviso, nada fica ao acaso, quando o sonho é grande para cada uma das equipas), e quem vai de ter de a manter bem guardada. Que seja, pois, mais uma tarde de Bom Futebol, quer na Luz, quer na Mata Real, e que o mais digno vencedor seja o respeito mútuo pela aceitação do “campeão” que vier a resultar.   
mariam (in http://momentodocafe.blogs.sapo.pt/)

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Chute-se o desencanto

Ramerrame que cansa.
Não anda, nem desanda.
Tédio e insipidez.
Atropela, quebra o ânimo.
Distorce a ação.
Fulmina a motivação.
Não ata, nem desata.
Vida dormente ou adormecida?!
Agite-se, acorde-se.
É tão urgente.
Perserve-se o alento.
Solte-se o grito. Convicto.
De imposição. Basta!
Chute-se o desencanto.
Ou arrume-se para canto.
Cumpra-se a leveza.
Só assim terá encanto.
E vencer será a certeza.
                                  mariam (in http://momentodocafe.blogs.sapo.pt/)

quarta-feira, 20 de março de 2013

Nos braços da Austeridade

Ai este casamento, Portugal!
Casamento agastado rompe-te a vontade,
lança-te nos braços da Austeridade.
Com ela te deitas, com ela te levantas.
Insensível, despreza- te sem piedade!
Amarfanha-te o futuro, quebra-te a vida.
Ai este casamento, Portugal!
Prisioneiro de dona insaciável,
amarrado ao desespero, feres a alma.
Despido de sonhos, rouba-te a esperança.
Ai este casamento, Portugal!
Ela tudo te leva, tudo exige, nada te dá.
Cega! Nos sacrifícios, martiriza.
De nada, ela tem ou dá certeza.
Já humilhado, dá-te como certa a pobreza.
Suportas, violenta-te a dignidade.
Ai este casamento, Portugal!
Ai esta vergonha atroz!
Macula a honra de teus egrégios avós.
mariam
in http://momentodocafe.blogs.sapo.pt/

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Ó inverno truculento

Ó inverno truculento,
implacável frieza.
Inquieto. Violento.
Ó sopro de vento acerbo,
ventania desenfreada,
assobio intenso!
Ó chuva gelada,
batida a vento,
impertinente, ritmada!
Ó força da água imparável,
alagadiça, assustadora.
Ó natureza humilhada,
arrastada,  submissa.
Desnudada, derribada.
Ó impiedade invernosa!
                        mariam   
                                  in http://momentodocafe.blogs.sapo.pt/          

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Bem-vindo 2013!

Lá se foi 2012. Partiu e não deixou saudades. Foram 366 dias que se resumem em duas palavras: crise e austeridade. Duas palavras "espaçosas" que tiveram o condão de afetar o nosso quotidiano e ganharam tal amplitude que se comprazem em nos fazerem companhia em 2013. Tivémos, pois, um escasso momento para dizer: Bem-vindo 2013! Adivinham-se dias bem difíceis para este ano que acaba de chegar. Sermos otimistas, é difícil. Nem os iludidos, nem os alienados podem encarar com ligeireza toda esta adversidade que nos "troiKa". O povo começa a sentir-se esgotado com tanta insensibilidade social e com tanto distanciamento com que se exerce a governação. Perdeu-se a crença e também a credibilidade em quem nos governa. Aguentaremos?
mariam  
 in http://momentodocafe.blogs.sapo.pt/(excerto)

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

África: o presépio


Lembro-me do presépio que era armado numa grande caixa de madeira cheia de areia da praia, onde a cabana era montada e uma lâmpada elétrica realçava as principais figuras do presépio, o Menino Jesus, a Nossa Senhora e o S. José. Não havia nenhum burrinho, mas não faltava a vaquinha que aquecia o Menino Deus deitado nas palhinhas da manjedoura. À meia-noite do dia 24 de dezembro, o Menino nascia nas palhinhas e depois, na Epifania, os Reis Magos, Belchior, Baltasar e Gaspar chegavam. Afinal vinham de tão longe, tinham partido de leste e seguiam o brilho da estrelinha que, colada bem no alto do céu de papel de seda azul-breu, estendia os raios sobre a cabana, onde os anjinhos convidavam à adoração do Menino Jesus com o dizer, Glória in excelcis Deo, em letra bem caligrafada pela mão do meu irmão mais velho. 
mariam 
in http://cafeamargo.blogs.sapo.pt/ (excerto)

domingo, 2 de dezembro de 2012

OE2013: o povo aguenta, ai aguenta, aguenta!

(...) E um Orçamento de Estado, quase nado-morto, que respira pela aprovação (desconcertada e cheia de incertezas) da  maioria que suporta o Governo. Uma maioria que reconhece que um tão mau orçamento dificilmente poderá sobreviver. Depois, o Governo fará o remedeio com outras medidas de ajustamento para “curar” a debilidade com que este Orçamento do Estado vê a luz do dia. Resta, ao povo, mais um logro.
mariam 
in http://momentodocafe.blogs.sapo.pt (excerto) 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O 1º aniversário de Apontamentos da mariam

"Apontamentos da mariam" completa o seu 1º aniversário. Aqui ficaram registadas pequenas notas... e fica o desejo de continuar a fazê-loSempre sem pretensões.
mariam

domingo, 11 de novembro de 2012

Eu quero, sim, um vídeo sobre os políticos...

A Alemanha, que há muitos anos acolhe tantos emigrantes portugueses, conhece a boa índole e a qualidade de trabalho das gentes de Portugal. Se assim não fosse, não nos quereria lá. Face a esta realidade, não quero nenhum vídeo promocional sobre os portugueses. Eu quero, sim, um vídeo em que os políticos, os ex-políticos metidos a comentadores e a analistas situacionistas ou como porta-vozes informais dos sucessivos governos viessem mostrar a qualidade dos governantes e da política portuguesa. Imagens de gente impreparada, incompetente, que não sabe cuidar da coisa pública e nada percebe da causa pública. Gente que se agarra à política para dela fazer o seu "métier". Perante imagens da verdade sobre a qualidade enganadora dos políticos de Portugal, o povo alemão e a Sra Merkel talvez viessem a reconhecer a razão do nosso empobrecimento e da desesperança que nos abala. E talvez, ainda, compreendessem a vergonha por que estamos a passar e esta indignação que não nos silencia. 
mariam 
 in momentodocafe.blogs.sapo.pt

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Porque é outono...


O outono, generoso, acomoda-se, toma conta do dia-a-dia, oferece detalhes que desenham a intensa de mudança a que a natureza se submete. Uma mão cheia de cores, sons, cheiros, sabores desperta os sentidos e as emoções emergem. Céu, nuvens, mar, montanhas, folhas, flores, árvores, animais, chuva, vento, estrelas, lua, sol são o manancial de cores e tonalidades, formas e materiais naturais, sons, aromas e sabores que se materializam nas palavras, na música, na dança, na pintura, nas manualidades, na culinária... Então, a criatividade acontece porque é outono.
 mariam

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Crise e austeridade

Austeridade, a terapia de choque e sem garantia. Fantasma de um país a definhar, que vive um dia de cada vez. Umas vezes, com medo de que morra da cura que não da doença. Outras, com esperança. Sempre contida. No horizonte, o temor de que essa diminuta esperança possa ser arrancada, a sangue-frio, pelos curandeiros experimentalistas metidos a políticos. 
                                                                                                 mariam

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Outono


O outono, senhor do seu espaço, impulsivo, tão depressa impõe um céu nublado e cinzento, uma forte ventania, uma chuva pesada e fria, como muda os seus ímpetos, acalma, condescende. E sente-se o brilho do sol de outono. A atmosfera ganha os tons outonais e espalha a luz amarelecida que poisa sobre a natureza. E respira-se tranquilidade.
mariam 

 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Não paro a minha indignação

O cidadão, o pai, o primeiro-ministro, pessoa em quem não votei, anunciou mais austeridade. Sinto-me indignada. Esta austeridade sufoca-me. Não me calo. Onde está equidade? Grito a injustiça. Não desmobilizo perante este sentimento de injustiça. Não paro a minha indignação. Quem se junta à minha indignação?
(texto reformulado)
mariam