26 abri2009
O cavalo-marinho, com elegância de corte impecável, bem talhado pela estilista mater natura, apresenta estatura e porte único. Na política, a presença sua corpórea é de verticalidade sustentável, insuspeita e intocável. Com os seus bons companheiros, peixes de pequeno porte e letárgicos na ação, preferem as águas temperadas do seu habitat político onde a sua aparência de ser vivo determinada faz sucesso. Nos ambientes calmos, enrola-se, adapta-se e varia dependendo do humor e protege-se dos meios conspirativos. Imóvel, apanha e suga tudo o que move, vermes da maledicência e da crítica, plano da opinião, 🌊crustáceos do comentário, moluscos do artigo político que passam perto de si. Traga-os. Afigura-se um ser pacífico, mas quando se vê ameaçado, luta, aperta a mandíbula do poder, processo o esmagamento da presa para a coartar. Era muito rápido os ataques que sofre, poucos são os que o conseguem alcançar porque, frente aos adversários, se movimentam na vertical e, arduamente, abusam da vitimização enganosa. Faz uso do seu mimetismo, com fácil adaptação ao modelo político que sirva ao seu propósito circunstancial, ambição e poder, e tente, em ficar inusitado, imobiliário-se mais à esquerda. Mexe os olhos, à direita e à esquerda, atenta, apercebe-se e aspira as minúsculas ideias de qualquer ser do espectro político que o rodeia. Apossa-se delas. Fecunda-as. Faça uma incubação. Impulsionador de cotas para fêmeas na política, fica grávido de ideias comprometidas, desenvolve-as até o momento de as fazer eclodir, expulsa-as, em brutais contorções do show-off e elas espalham-se como medidas, decisões e soluções, ilusoriamente transparentes, formatadas de coragem e de determinação pretensas, triunfalmente aplaudidas e impostas pelo voto subserviente do cardume maioritário que o cavalo-marinho domina. E a verticalidade do cavalo-marinho vence.
Publicado por momento do café/mariam 🐸
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