Lembro a velha máquina de café onde, na hora, o mano mais velho moía os grãos de café torrado para que o aroma e o sabor não se perdessem durante a confeção da bebida. À sombra da frondosa "mandioqueira", espreito a velha mesa do quintal, onde a gente adulta, em ameno convívio, saboreava o café, acabado de ser feito. África tão longe e tão perto, sempre inesquecível.
Sinto o cheiro da manteiga de cacau que se mistura ao aroma dos grãos do café da última safra e que a mãe torrava lá no forno da cozinha. E, à lembrança, vêm todos os aromas de África que se acomodam àquele cheiro intenso do café que invadia a casa e o quintal.
E as cores de África avivam-se no verde dos cachos de bananas dispostos, em fila, no passeio do quintal que me leva à cozinha. E quantas lembranças doces se colam ao perfume daqueles abacaxis e dos cachos de bananas trazidos da fazenda dos tios. Daqueles tios, não de sangue, mas das grandes amizades que se faziam em África e se tornavam duradouras.
mariam
29.04.13
Sobram os dias que, teimosamente presentes, perduram ajustados à marca indelével das cores, dos cheiros, dos sons, dos sabores, das gentes de África. E na lembrança, sente-se o cheiro do cigarro que a velha Juliana, a engomadeira, fumava ali sentada no murete do canteiro, depois do almoço e enquanto descansava das suas lides. Quanto os meus irmãos e eu gostávamos dela e a respeitávamos! Lembro da pachorra que ela tinha para aturar a nossa algazarra e correrias, enquanto engomava a roupa à sombra da mandioqueira do quintal.
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