segunda-feira, 15 de junho de 2026

A frequência do ensino pré-escolar para todas as crianças

 22 Abr 09

A frequência obrigatória do ensino pré-escolar é um ganho no percurso académico de uma criança. Ao iniciarem o 1º ciclo do ensino básico, as crianças mostram diferentes níveis de competência linguística e muitas delas possuem um código de linguagem restrito que pode condicionar-lhes a aprendizagem e o sucesso escolar. Quando a criança, pelo menos, aos 5 anos, frequenta o pré-escolar, vai beneficiar com a socialização e, pela interacção com os seus pares e os adultos, pode contactar com modelos correctos da linguagem oral que vão favorecê-la e facilitar-lhe a aquisição de um código de linguagem elaborado.
No pré-escolar, o manuseamento dos diversos tipos de livros que estimulam o gosto pela leitura e que a criança reconhece pelas histórias e pelos contos que lhe são lidos, a realização de jogos e actividades de desenvolvimento das estruturas cognitivas e de coordenação espacial, visual e motora são contributos para a aprendizagem da leitura e da escrita quando chega ao 1º ano de escolaridade.
Na minha opinião, sempre que possível, só a partir dos 3 anos é que a criança deveria iniciar a frequência do pré-escolar ou jardim de infância (não infantil, como muita gente confunde), com um projecto educativo bem estruturado, com actividades e aprendizagens devidamente planeadas tendo em conta os diferentes grupos etários. Aos 3 anos, porquê? Porque "na família joga-se tudo até aos três anos", é o tempo decisivo para a criança construir o “eu pessoal” e o “eu social”. Já Paulo Freire afirmava que “a primeira escola da criança é a família. Na família ela aprende observando o modelo adulto. O adulto faz, a criança observa e muito...na família a lição é a toda a hora: na conversa da vizinha, na feitura da comida, na arrumação da casa, nas brigas...". Vimos a assistir que os papéis na família estão a mudar e a evolução que se vem a registar nas funções da família permite que homens e mulheres estejam numa relação de igualdade de direitos e deveres no que respeita à educação dos filhos e ao trabalho. Actualmente, os pais vêem-se na contingência de, desde muito cedo, entregarem os filhos a creches, jardins de infância e escolas, porque o mercado de trabalho exige-lhes uma actividade (ou a uma carreira) profissional cada vez mais absorvente. O sistema familiar tradicional proporcionava uma das bases de estabelecimento de uma rede de relações familiares e sociais que, nas sociedades modernas, são assumidas pela escola, pela importância que esta tem no papel da socialização secundária da criança.

publicado por momento do café 

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