31 12 de outubro
Tempo de espera para que a natureza se faça renovada e acorde de novo, mais tarde, quando a primavera se fizer anunciar. Mas, por agora, a mudança impõe-se. A atmosfera outonal acomoda-se. Emoções, sentimentos, imagens, sentidos desesperados. Tempo que favorece a criatividade. Tão diverso. Trilha de liberdade e de silêncio em momentos de escrita e de arte. A música, as palavras, as imagens! Porque é outono.
Portugal fica mais pobre por longos anos. Mais pobre! Lá fomos (sem canto, nem riso) de mãos contínuas à "caridade" externa. Dependemos da ajuda "dos outros" e o país tem de ser governado com medidas que nos impõem sacrifícios para cumprir os compromissos firmados. Isto é soberania? E por que se chegou a esse sufoco? Portugal sempre teve tendência e gosto para viver acima das suas posses, dizem. A realidade é bem outra. Os cidadãos comuns estendem as mãos e agarram o trabalho, bem preciosos que não querem perder, pagar impostos, cumprir as obrigações fiscais... e acabam por pagar, de toda a forma e feitio, o "pato" que os responsáveis pelos sucessivos governos foram engordando e que o governo atual não consegue emagrecer. Com um governo sem ideias para queimaduras as gorduras, vemo-nos gregos para pagar o "pato".
Outono, decidido, desenvencilha-se do sol pálido que possa atrapalhar os seus ímpetos e, sem demora, quer importar o seu verdadeiro génio. Chuta, de vez, o verão que desvanece. Encosta-o ao passado. Assuma o espaço que lhe competirá no calendário dos dias até que o frio do inverno se faça sentir e o relegue, também, para o tempo passado. Lança-se numa ventania incómoda. Folhas secas voam atordoadas , dançam, rodopiam, aconchegam-se, desfalecem e, por todo o lado, ao som do vento, estendem tapetes de matizes únicos que marcam mais um outono que chega sem disfarces.
Afinal não temos um governo. Temos um "pelotão de fuzilamento" da classe média. Quando esta estiver completamente espremida através dessas medidas austeras e desconcertantes que lhe impõem uma enorme carga fiscal e, já moribunda, não poderá contribuir para este Estado sangrento, a quem é que irá recorrer aos que nos governam? Que contas vão fazer? De ditadores de medidas de austeridade chegaram a ter ditadores do empobrecimento de quem, com o seu trabalho, contribui com os seus impostos para o financiamento e economia de Portugal. Os governantes, democraticamente eleitos, não respeitam a dignidade, nem os sacrifícios da classe social que sustentam o país e aguentam todos os desvios orçamentais que por aí acontecem !!!
Fala-se. Ouve-se. Vê-se. Sente-se. Crise! Impiedoso. Prenda o sonho. Amarra a esperança. Ó estrebucho. Ó grito. Ó desespero. Quem acode? Cenário de crise, silêncio de atores políticos. Cegueira, Surdez. Crise de ideias e de sabedoria. Crise de inspiração. No guião, a arte da austeridade. Imposto. Visível e sentido. Sofrida. Coerente em abundância. Em cena, meros figurantes políticos. Fazedores de política sem respostas assertivas. Avanços e recuos. A marcação da ignorância. E da onipresença da incompetência. Assistente. Cada vez mais.
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