A Camila aproveita para olhar o mar neste lindo dia de muita luz, céu límpido e mar ciano.



Na anunciada e molhada partida do verão que nem sequer por cá andou e nem pediu desculpas pela sua ausência, são surpreendentes os pedidos de "desculpas" e a assunção de responsabilidades políticas dos responsáveis pelas pastas da Justiça e da Educação. São atitudes que, por mais humildade que deixem transparecer, não passaram de formalidades sem conteúdo direto e consequente, não repõem a credibilidade, são só para cidadão ver. Quem governa pode errar, o ser humano é falível, mas porque detém o poder executivo tem o dever de saber e conhecer, ver e entender, prevenir e evitar erros que possam ocorrer com a decisão que toma e prever as consequências prejudiciais e de difícil resolução que podem emergir antes, durante e depois que todo o processo e os procedimentos sejam iniciados. Não se exige que um governante seja um dotado especialista, mas deve entender e ter conhecimentos sobre a área que tutela. Exige-se que na sua equipa haja gente competente e não os "mártires" que vão carregar todo o descontentamento dos cidadãos quando a "coisa" dá para o torto. Quem governa deve assumir a culpas quando comete errros. Um simples pedido de desculpas não os desculpabiliza de nada. Exige-se, sim, a coragem de tomar uma atitude política, entenda-se, um pedido de demissão.
A empreitada chegou ao fim. Não foi nada fácil. Ao fim de um mês, e sob um verão que se mantém tímido, sobram o cansaço e o alívio de que tudo que havia para fazer está feito. A decisão estava em marcha e destralhar a moradia de dois pisos e o sótão seria uma obra penosa, mas de coragem. Tanta sebenta, tanta fotocópia, cadernos A4 e A5 com exercícios realizados, livros de estudo… mas era necessário aquela ação de despejo. Quanta tralha acumulada nas estantes do sótão, caixas com peluches da A., até brinquedos do João e do Tiago, chávenas de café de uma suposta coleção que o M.D. iniciou, distribuídas por cestas tipo piquenine, cheias de pó e que nunca passaram de um ajuntamento numeroso e bem poeirento. Enfileiradas nas prateleiras, inúmeras pastas de arquivo com a planificação de aulas, testes avaliação, registo de avaliação de alunos, várias caixas grandes, tipo Ikea, onde ainda foram encontrados livros do 12º do M., disketes sem conta e já passadas ao estado obsoleto, cd`s com trabalhos académicos guardados, material eletrónico por todo o lado, incluindo as gavetas dos roupeiros. Um horror! O apego afetivo às tralhas que se acumulam, ano a ano, contribui para que tomem conta de tanto espaço em casa e, depois, vem aquela pouca vontade, sempre adiada, de se fazer uma limpeza radical, um trabalho tão necessário quanto odioso. A certa altura, quando toda a ação de limpeza se torna inadiável e se vai concretizando, os montes de papel, essa tralha “esquecida” por diferentes espaços da casa, parecem emergir de todos os cantos e sente-se aquele pó que deixa marcas escuras de sujidade nas mãos. Irrita e arrepia de repulsa. Só apetece largar tudo e, mais uma vez, adiar o trabalho de destralhar a casa. Mas como o que tem de ser tem muita força, desta vez teve de ser. E foi. Trabalho cumprido!
Uma persistente nebulosidade vem cobrindo agosto e, em tempo de honrarias e foguetório ao santo padroeiro de uma qualquer terrinha, o que está a marcar o rebuliço do verão nacional é a queda de um santo financeiro. Nem os sons festivaleiros, a bombar por todo o lado, conseguem silenciar o estrondo que acordou a pasmaceira estival. Um grito de "sacanice" ouviu-se, tomou conta do verão, e nem o Espírito Santo, o divino, conseguiu contrariar tanto "diabolismo" à solta. Pés de barro e soou o eco do trambolhão ruinoso! Um brado aos céus! A tranquilidade dos dias de veraneio foi quebrada desde que um santo financeiro perdeu a tramontana e é ver o burburinho que corre. Um espírito do mundo financeiro caiu do altar com desmedido impacto que cavou um buraco descomunal. A poeira tóxica que levantou é de tal perigosidade que muitos, uns gananciosos e outros incautos, jamais verão o "cacau" que investiram. O tal espírito, santo que pululava entre os mundos financeiro, económico e o poder político, vai procurar uma saída airosa. Será mais um momento déjà vu porque os da avidez pelos ganhos e os tristes enganados, tão confiantes nas lides da alta finança, arriscaram e perdem milhões, apanham os cacos da ganância e aprendem que os santos financeiros não fazem milagres, mas que há talento para o engodo. E, de toda a situação que atravessa este verão tão arredio, sobrou um bad bank para além do santo da tramoia dos milhares de milhões e dos tramados pela ganância. A procissão ainda vai no adro e os anjinhos do costume já receiam que, mais uma vez, tenham de pagar o prejuízo que resulta de tanta desfaçatez.
Enquanto o verão acontece, o maior partido da oposição, em atitude de entendimento interno inconseguido, enfrenta a disputa pela liderança. Desgasta-se, que o tempo de decisão quis-se demorado. As inscrições para as eleições primárias já decorrem, marcam o tempo, o que cumpre o calendário e o que desenha o verão e, em plena silly season, que parece que já não é o que deveria ser, capitalizam-se eleitores. Há uma luta que atravessa o costumeiro marasmo político de verão, quando relógio do tempo não para, nem se compadece com as incertezas de um destino político traçado ao longo de uma fastidiosa linha temporal que se quer ver cumprida pelo Partido Socialista (PS), dividido entre os apoiantes do líder e os do candidato seu concorrente. Disputa e dúvidas vivem-se no PS. Tempo consentâneo com certas manhãs de julho que emergem do nevoeiro denso que desce e esconde o sol, pouco seguro, que não corresponde aos anseios das gentes, que não se decide a dar um ar do seu brilho e da sua força. Tudo segue temporizado até que as eleições primárias se consumam, então, sob o respiro outonal e para que delas emane o vencedor, o próximo líder, o mesmo ou o novo, o candidato a primeiro-ministro.
*Em destaque no Blog dos Blogs do Sapo, em 20-05-2014
Foi constrangedor ouvir um homem do Governo de Portugal falar da aclaração que foi pedida ao Tribunal Constitucional (TC) e que este rejeitou. Enfim, é o que temos e para o que estamos guardados quando há, à solta, quem nos tome como ignorantes e, como o pedido de aclaração não aclarou, ele veio aclarar. Da recusa de aclaração por parte do TC, registou e lançou a diferença de tratamento entre os Funcionários Públicos. Aclarou, aclarou, andou em círculos aclarativos, e suava por todos os poros. Uma manobra comunicacional para ver se os portugueses "emprenhavam" pelos ouvidos e se "atiravam" ao TC. Não sei em que manual de formação sociopolítica intensiva, esta pleiade que nos governa leu, interpretou e tirou a conclusão de que nós, o povo português, somos todos uns parvinhos, uns idiotas, que não percebemos nada "disto" e que não conseguimos interpretar o que dizem os Juízes do TC. O governo substima-nos. Nos conflitos com o TC, quer instrumentalizar-nos e, de tão solidários que são, pretendem fazer crer que também somos vítimas das decisões de inconstitucionalidade que resultam da análise das normas que propõe e, às quais, a sua maioria parlamentar diz "yes". Vá lá, já concluiram que têm de cumprir o que o TC decidiu em matéria da reposição dos cortes e dos subsídios devidos. Conclusão, o pedido de aclaração não passou de uma manobra dilatória. O Governo sempre soube que tinha de pagar. Mas será que queria pagar? Penso, quantas vezes, nestas birrinhas que o Governo faz como as criança ou os adolescentes que tudo questionam para debilitar a auteridade dos pais, que procuram cansá-los pela insistência, que ensaiam umas "estórias" em que só eles acreditam e que "amandam" uns avisos de resistência, à laia de retaliação às decisões que não querem cumprir, quando os adultos responsáveis não cedem e exigem respeito. As crianças ou os adolescentes recebem uns quantos nãos, no momento oportuno e, como são espertos, aprendem, fazem-se finos. Mas com o Governo a aprendizagem tem sido um difícil inconseguimento. E nós cá esperamos as próximas "estórias" com a chancela da austeridade que o governo guarda na manga e que serão alternativas às medidas rejeitadas. Viveremos, ou antes, sobreviveremos a mais um capítulo da nossa expiação, porque, já não cremos em nada e, afinal, nem somos tão anjinhos.
E aqui deixo registado o meu obrigada ao Sapo pelo destaque.

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