sexta-feira, 12 de junho de 2026

 29

Nov 09

João, tira o dedo...
o dedo do nariz!
Hoje não há baile,
oh...oh! não há, não...
o baile lá no salão.
Teimoso é o João
e não tira, não,
o dedo do nariz.
Que tal uma foto,
- o avô lá lhe diz -
assim com o dedo
bem no teu nariz?
João toma pose,
e com o dedo
dentro do nariz
põe o seu ar feliz.
Olh’ó.... passarinho.
A foto... já está!
Uma recordação,
só para ti, ó João.
Um momento assim
é tão único, sim!…
E eis aqui tudo,
tud'o qu' é preciso:
um dedo no nariz,
um grande sorriso,
e tanta teimosia
deste alegre petiz.

               RIMAS PRÓ JOÃO

publicado por momento do café às 01:52
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22
Nov 09

Na escola actual, os professores reconhecem que a aplicação da fórmula cega do currículo construído para um aluno “padrão” cilindra as desigualdades de desenvolvimento cognitivo, nega as vivências diferenciadas, não reconhece a multiplicidade cultural e as assimetrias sócio-económicas, despreza a existência de dificuldades de aprendizagem que podem ser mais ou menos acentuadas, equaliza o ensino para distintos níveis de desempenho e progresso escolares e, inevitavelmente, concorre para o insucesso dos alunos. São os factores sócio-económicos e a multiculturalidade que mais definem as diferenças e marcam a sociedade. Não aceitar a diversidade que existe na sociedade é apostar na contradição, isto é, numa uniformização que, ao nível da escola, compromete toda a acção e trabalho dos professores. Estes preparam-se, agora, para a extensão da obrigatoriedade para doze anos e, como já enfrentaram o desafio do alargamento da escolaridade obrigatória para nove anos, sabem que a diversidade na escola determina o ritmo de aprendizagem, diferencia a aquisição e a aplicação de competências e conhecimentos, condiciona a progressão e a avaliação de desempenho dos alunos e, sobretudo, põe à prova toda eficiência do professor, quer na luta contra o absentismo dos alunos a quem a escola nada diz, quer na forma como consegue gerir os comportamentos complicados e desafiadores daqueles alunos que frequentam a escola na base da contrariedade. A escola e os seus professores sabem que não se deve embrulhar a diversidade no mesmo currículo. Todos os alunos têm o direito ao sucesso na aprendizagem e quando os professores objectivam a necessidade de concretização dessa igualdade de direito, assumem-se, a nível da educação e do ensino, como geradores de soluções conducentes ao sucesso escolar dos seus alunos. Diagnosticados e criteriosamente identificados os traços que definem a diversidade de uma dada escola, é necessário estabelecê-los como condições orientadoras na construção do currículo “moldável” ao aluno “real”. E não o contrário. "Embrulhar" o aluno num currículo uniforme e claustrofóbico é contribuir para o seu sistemático insucesso escolar.

publicado por momento do café às 21:28

15
Nov 09

Uma nova classe de gente ajeita-se, talentosamente, na política e na sociedade. De visão rápida e circunstancial, olha o momento que não pode ser desperdiçado. Agarra a oportunidade com a avidez exacta à sua desmesurada ambição pessoal e política. Sem perda de tempo, perfila-se e prepara-se activamente para não perder o comboio da democracia de que se apropria. Apercebe-se das vantagens na prestação de altos serviços ao país e ao povo e, pela democracia, vale todo o sacrifício exigido. Adapta-se, às mil maravilhas, a todas as situações. É gente que veste um disfarce de pudor e dignidade para envolver um falso compromisso democrático num gesto de  altruísmo. É a sua democracia que prevalece, muito particular, muito ao sabor da sua cobiça desenfreada. Esta nova classe de gente, bem acomodada à sombra do mundo político, oculta uma pardacenta face para, subtilmente, alcançar o propósito de colher os proventos que a engordam e as regalias que a sustentam. Não há tempo para questionamentos éticos e morais. Na prática de um cargo político, além do prestígio inerente, tem a livre movimentação nos meandros do circuito político para estabelecer a construção do “carreirismo político”, onde colhe privilégios e favores e obtém o currículo tão adequado e plenamente conseguido que lhe facilita a acessão, no futuro, a um lugar oferecido por outros poderes satélites que, tantas vezes, definham o poder do Estado. No perímetro das relações que se organizam em redor do poder político, esta nova classe de gente, em fases da sua ambição e ganância, parasita os sucessivos caciques, insiste, atinge o plano de maturação na arte de ganhar prerrogativas, de exercer influências e mover interesses. Tem a conveniente atitude de aceitação e comunhão das decisões do poder político que toda a sociedade escrutina democraticamente, respeita e crê impoluto e acima de quaisquer suspeitas. Esta nova classe de gente que vive ajustada ao tom cinzento de princípios e de valores de conduta, lança a descrença e a indignação nos cidadãos que acreditam que a verdadeira democracia se exerce na igualdade de direitos e deveres e que ninguém está acima da lei.

publicado por momento do café

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