29 12 de maio
Um momento vívido é irrepetível. O presente não é seguro o momento vívido. O presente torna-se passado. Nítidos ou desvanecidos, os momentos vívidos deixam imagens que o presente pode revisitar. Na linha de tempo, ficam essas imagens que a memória grava e retém: pessoas, fatos, situações, emoções, sentimentos que desenham o nosso percurso de vida.
Pobre país! Doente, definava os olhos vistos. Cuidado de tratamento que lhe alivasse o definhamento que o minava e, já em desespero, eram-lhe ministrados PEC's sucessivos e em doses rigorosas de austeridade, que não surtiam qualquer efeito compensador e muito menos terapêutico. Depauperado, caminhava para a falência financeira. Tornava-se inadiável um pedido de ajuda eficaz que garantisse outros recursos que estancassem aquela condição de desfalecimento iminente. Então, pedi-se a intervenção de uma equipa de assistência internacional, a Troika , que acorreu de imediato. Chegou, sugeriu, auscultou, examinou minuciosamente, analisou e confirmou o diagnóstico temido: diversas crises que apontavam para falência múltipla dos órgãos financeiros. Era urgente travar a evolução galopante do estado de saúde do paciente e logo prescreveu o remédio mais adequado e radical: medidas urgentes de ajuste financeiro. Mais austeridade e em doses colossais! Anúncio de que o tratamento seria violento, com manifestação de frequência e graves efeitos recessivos, e não descartava a possibilidade de ser necessário o recurso a novo e mais duro reajustamento das medidas prescritas. Acrescentava-se que, não obstante o tratamento agressivo ao país em questão, a cura não seria garantida. E o pobre país, enfermo, vive um dia de cada vez. Umas vezes, com esperança; outras, com o recebimento de que, exaurido, possa morrer da cura e não da doença.
A semana foi muito marcante para o João. Completou dez anos e fez os exames de aferição do 4º ano. Como o tempo corre! Uns “dez reis de gente” que nasceu num dia de maio, quando a tarde começou a dar lugar à noite, já tem 10 anos. E, como de costume, a família cantou-lhe os Parabéns e a outra avó realçou a circunstância do João passar a escrever a sua idade com dois dígitos e leu-lhe um poema escrito pelo avô Lúcio.
Um 1º de Maio inesquecível....e para lamentar!!


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