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Sejamos lúcidos. Foram uns quantos remates, um penalti ao poste, um golo anulado e o desencanto a tomar conta de nós. A finalização foi sempre travada nos postes. Sobrou só mais um ponto para as nossas aspirações. Um ponto do nosso descontentamento. Perdemos, de novo, mais dois pontos. E quatro já se foram. O nosso karma, adiar a qualificação, cumpriu-se, mais uma vez. Subsiste um sabor amargo na nossa alma lusa e não queremos, de todo, voltar a prova-lo. A esperança prende-nos à derradeira oportunidade. Sejamos sonhadores, pois. É preciso sonhar para atenuar este desapontamento que nos toca. Queremos passar a fase de grupos. O próximo jogo da Seleção será "ou vai ou racha". Garra, cabeça fria, pés certeiros exigem-se! O jogo será de "mata mata". Dancem o bailinho, o corridinho, o vira, virem-se, revirem-se no relvado, que o jogo contra a Hungria é para vencer.
Não, não! Não sou otimista para afirmar que ganhámos um ponto. A seleção estatelou-se no jogo contra a Islândia. Os remates, e foram muitos, chegavam gelados à baliza adversária. Há que registar, contudo, o papel meritório do guarda-redes islandês. Ainda pensei que, após o golo do Nani, a tarefa ficaria mais quente para derretar aqueles pilares islandeses e calar os seus incansáveis adeptos, mas eficácia não correspondeu. O golo da Islândia foi a verdadeira pedrada gelada na "tola" da nossa seleção e, o discernimento, que até ainda ia resistindo, congelou. Foi o primeiro jogo, é certo, mas foram dois pontos perdidos. A par do nosso peculiar pessimismo, resta a esperança, essa tão nossa, tão portuguesa. E por falar na nossa forma tão lusa de sofrer, onde se enfiaram os milhares adeptos portugueses que, nas bancadas, não se fizeram ouvir para calar as hostes islandesas que nunca deixaram de puxar pela sua seleção?
Destaque em Sapo Blogs em 15 de junho de 2016

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