23 Abr2009
Como se aprende o gosto pelos livros? A resposta é simples, lendo. Mas o gosto pelos livros não aparece do nada. Se na infância não for despertado esse gosto, através da leitura de histórias que agradam aos mais pequenos na hora de ir para a cama, na idade adulta esse gosto não se constrói facilmente. Crie-se o hábito de ler para os filhos, ainda na tenra idade, que depressa não dispensam a leitura de histórias ou contos antes de adormecer. Quando a criança desde muito pequena manuseia e aprende a desfolhar um livro, a ver as imagens, a olhar o aspecto do texto, a pedir que lhe leiam para ela ouvir, a interpretar e a questionar sobre as personagens e a acção, ela não só está a construir uma linguagem mais elaborada e a enriquecer o seu vocabulário, como, inconscientemente, começa a sentir o prazer que um livro dá e vai- se apercebendo que, um dia, também terá a capacidade de ler. É o seu primeiro contacto com a leitura e com a escrita. Quantas vezes vemos uma criança a imitar o adulto no acto da leitura, apontando com o dedo, seguindo as linhas do texto escrito, fingindo que lê! Então, apercebemo-nos que ela já interiorizou, de um modo simples, a regra da leitura e da escrita, da esquerda para direita e de cima para baixo. O modelo de pais que gostam de ler é uma importante condição para transmitir aos mais novos o gosto pelos livros. Quem não teve o contacto com os livros durante a infância, dificilmente, na idade adulta sentirá apetência pela leitura, fará dela uma tarefa fastidiosa e quando tiver de o fazer, por necessidade, encontrará dificuldades a nível cognitivo porque ler é, fundamentalmente, compreender.
Infelizmente neste país, só alguns tiveram ou têm acesso à cultura e aos livros. Tradicionalmente quem estudava era uma elite, a escola era objectivada para a classe dominante, o que afastou grande parte do povo português da escola e que não teve a oportunidade de aprender a ler. Com a massificação do acesso à escolaridade, após o 25 de Abril, em proporção, aumentou o gosto pela leitura? Não me parece, actualmente, o que tem vindo a mudar é o gosto por outro tipo de leitura. O gosto inclina-se e reflecte-se numa literatura “light”, de fácil consumo que emergiu e se instalou, vende bem e, por razões comerciais, é bem suportada pelas editoras que a justificam pela necessidade de satisfazer um novo e crescente grupo de leitores. Não nego que haja mais gente a ler, mas que qualidade de leitura é consumida? Quem gosta da boa leitura que um bom livro proporciona, não consegue “tragar” esta nova literatura de consumo imediato. No entanto, concordo com muitos que dizem que mesmo este tipo de livros “ligth” já levou muita gente ao hábito da leitura, o que é positivo.
A notícia de que alunos numa escola foram filmados a utilizar o computador u, alegadamente, sem autorização dos pais ou encarregados de educação e com a finalidade de propaganda política, fez-me reflectir sobre o que estaria na mente dos estrategas da campanha política e do tempo de antena do PS, relativamente à mensagem que desejariam passar. Talvez a ideia fosse suportada por aquele velho ditado ''de pequenino se torce o pepino'', mas eu, ciente da liberdade de opinião que transborda nesteu meu país, posso travestir o velho provérbio e resulta o slogan “de pequenino se molda o so****ismo''. À aparte desta pequena introdução, tomo a liberdade para falar no computador Magalhães que faz parte do projecto do governo para as escolas. Não seria desejável nem tolerável que os alunos, principalmente das classes menos favorecidas, não tivessem acesso à aprendizagem e à utilização das ferramentas da informática e a oportunidade foi-lhes oferecida. A informática ser-lhes-á útil durante a frequência da escolaridade obrigatória que, como se prevê, será alargada para 12 anos ou quem sabe, para as novas oportunidades.
Ao largo, os desígnios eleitoralistas que possam estar subjacentes à tal filmagem. Não é aceitável.
E como diz, no computador Magalhães, clica para ''borrares'', leia-se, ''limpares", ou ''apagares'' ou, ainda, "safares" esta infeliz intenção e fiquem os alunos a usufruir do dito cujo, com menus em português correcto e não em portanhol porque ''de pequenino se torce o pepino''.
Então, o sr. Secretário-geral do PS, clica e safa... com um pedido formal de desculpa aos
A frequência obrigatória do ensino pré-escolar é um ganho no percurso académico de uma criança. Ao iniciarem o 1º ciclo do ensino básico, as crianças mostram diferentes níveis de competência linguística e muitas delas possuem um código de linguagem restrito que pode condicionar-lhes a aprendizagem e o sucesso escolar. Quando a criança, pelo menos, aos 5 anos, frequenta o pré-escolar, vai beneficiar com a socialização e, pela interacção com os seus pares e os adultos, pode contactar com modelos correctos da linguagem oral que vão favorecê-la e facilitar-lhe a aquisição de um código de linguagem elaborado.
No pré-escolar, o manuseamento dos diversos tipos de livros que estimulam o gosto pela leitura e que a criança reconhece pelas histórias e pelos contos que lhe são lidos, a realização de jogos e actividades de desenvolvimento das estruturas cognitivas e de coordenação espacial, visual e motora são contributos para a aprendizagem da leitura e da escrita quando chega ao 1º ano de escolaridade.
Na minha opinião, sempre que possível, só a partir dos 3 anos é que a criança deveria iniciar a frequência do pré-escolar ou jardim de infância (não infantil, como muita gente confunde), com um projecto educativo bem estruturado, com actividades e aprendizagens devidamente planeadas tendo em conta os diferentes grupos etários. Aos 3 anos, porquê? Porque "na família joga-se tudo até aos três anos", é o tempo decisivo para a criança construir o “eu pessoal” e o “eu social”. Já Paulo Freire afirmava que “a primeira escola da criança é a família. Na família ela aprende observando o modelo adulto. O adulto faz, a criança observa e muito...na família a lição é a toda a hora: na conversa da vizinha, na feitura da comida, na arrumação da casa, nas brigas...". Vimos a assistir que os papéis na família estão a mudar e a evolução que se vem a registar nas funções da família permite que homens e mulheres estejam numa relação de igualdade de direitos e deveres no que respeita à educação dos filhos e ao trabalho. Actualmente, os pais vêem-se na contingência de, desde muito cedo, entregarem os filhos a creches, jardins de infância e escolas, porque o mercado de trabalho exige-lhes uma actividade (ou a uma carreira) profissional cada vez mais absorvente. O sistema familiar tradicional proporcionava uma das bases de estabelecimento de uma rede de relações familiares e sociais que, nas sociedades modernas, são assumidas pela escola, pela importância que esta tem no papel da socialização secundária da criança.
Created by Rodney L. Noga
http://www.columbine.net/
Foi há 10 anos que ocorreu o massacre em Columbine High School, perto de Denver, e integrada no sistema escolar das escolas públicas do Condado de Jefferson, no Colorado. Perderam a vida 12 alunos e um professor e causou ferimentos em 23 alunos. O massacre, com recurso a armas e bombas que construíram, foi planeado e concretizado por dois alunos da mesma escola, que acabaram por se suicidar. Este massacre ainda estava muito presente, tinha acontecido havia pouco mais de um ano, quando, no âmbito da minha formação em comportamentos e problemáticas de risco, tive o privilégio de assistir ao depoimento/aula do Professor Scott Poland que coordenou as equipas de intervenção e resposta às crises desencadeadas após os massacres, na Heath High School, Paducah, Estado de Kentucky, em 1 de Dezembro de 1997 e na Westside Middle School, Jonesboro, Estado de Arkansas, em 24 de Março de 1998 e que, como psicólogo especialista na prevenção de acções de violência e de suicídio juvenil, liderou a equipa que foi convidada para Jefferson County Public Schools (as escolas públicas do Condado de Jefferson), Colorado, para dar resposta ao trauma e à crise após o massacre na Columbine High School.
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