terça-feira, 16 de junho de 2026

🧑‍🎄🎄NATAL DOUTRO TEMPO #3 🌲🌲NATAL DOUTRO TEMPO #2 2🧑‍🎄

 19 DEZ.  2013

🎄NATAL DOUTRO TEMPO#2

Na véspera de Natal, o aroma da canela espalhava-se pela casa. Era um dia de azáfama para a mãe que fazia os doces tradicionais e não faltavam as rabanadas, os coscorões, a aletria, o pão-de-ló e os mexidos ou formigos como são conhecidos no Minho. E eram à rico, como dizia um camarada do pai, o Sr. Monteiro, porque, para além do mel e do vinho do Porto, levavam amêndoas, nozes, pinhões, avelãs e passas de uva.

A família era grande, com seis filhos, e o pai e a mãe não as perdas suficientemente numerosas para o jantar da festa de Natal. Sempre foram convidados! Eram os amigos que passavam a quadra natalícia longe dos seus queridos e, então, os pais fizeram questão de convidar para a consoada. À mesa, havia o tradicional bacalhau cozido com todos e em grande quantidade porque o que sobrava seria para a “roupa velha” do almoço de Natal. À sobremesa, provaram-se, então, todos os doces tradicionais que a mãe confecionava com o carinho e a serenidade que lhe eram tão naturais. Depois, na varanda frente ao mar, com muita conversa e jogos tradicionais, a reunião da família e dos amigos continuava e estendia-se até à hora do nascimento do Menino Jesus .

À meia-noite, era o momento de toda a família colocar o sapatinho na chaminé da cozinha. Não se esperava pelo Pai Natal, mas pelo Menino Jesus que acabou de "nascer" no presépio lá de casa. E, enquanto os mais velhos seguem para a missa do galo, os mais novos vão dormir. Era uma hora em que a algazarra serenava e a casa ia mergulhando na magia silenciosa da noite de Natal.

  em "Natal no tempo dos trópicos" ( revista)

publicado por momento doá café/ mariam🐸


18 dez 2013

🎄NATAL DOUTRO TEMPO #1

 Na varanda virada ao mar, o presépio ficou montado numa caixa grande de madeira cheia de areia da praia e reforço em quatro pernas. Sobre a areia fina, foi construída uma cabana tosca com uma pequena lâmpada elétrica, bem disfarçada, que realçava as principais figuras do presépio: o Menino Jesus, a Virgem Maria e o S. José. Não havia um burrinho, mas não faltava a vaquinha que aquecesse o Menino Deus que seria deitado nas palhinhas da minúscula manjedoura. Um espelho ladeado de conchinhas do mar imitava o lago onde um lindo cisne branco nadava. Na areia fina e dourada, marcavam-se, também, os caminhos com pequenos burgueses por onde os pastores seguiam com os rebanhos, como se caminhassem na direção da cabana. Com a supervisão do mano "Mocho" que examinou todos os detalhes, a montagem do presépio, logo no início das férias escolares, era uma retrospectiva alegria e seguia a cronologia dos factos, segundo a tradição. À meia-noite do dia 24 de dezembro, o Menino foi colocado nas palhinhas e, mais tarde, na Epifania, os reis magos, Belchior, Baltasar e Gaspar, chegaram à entrada da cabana. Afinal, partiam de tão longe, vinham de leste e seguiam o brilho da estrela maior que, colada lá no alto do céu de papel de seda azul-breu e bem cravejado de outras estrelinhas douradas, estendia os raios sobre a cabana, onde dois anjinhos rochunchudos com uma faixa com as palavras Glória in excelcis Deo, em letra bem caligrafada pela mão do mano mais velho, convidavam à alegria do Menino Jesus. Nesse tempo, não havia árvore de Natal, nem o consumismo à conta do Pai Natal, o ícone natalino dos tempos que correm.  Estamos felizes.

excerto de " Natal no tempo dos trópicos" (revisto)

publicado por momento doá café/ mariam 🐸


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