11 Dez2o23
Na comunicação social de referência, todo o trabalho noticioso focaliza o desenrolar da investigação e a audição das pessoas que, alegadamente, aparecem envolvidas no processo que monopoliza a atenção pública. Dá-se lugar à reportagem e a informação mantém-se em constante actualização. O espaço comunicacional consulta juristas, politólogos, sociólogos, jornalistas especialistas no assunto, questiona políticos da mesma linha ideológica e de linhas divergentes e, até à exaustão, faz-se a análise do caso. Há comentários, opiniões, especulações sobre factos e, no campo “do parece que é, ou foi”, tudo é conjecturável. No que concerne ao processo em investigação, a opinião pública interioriza o que se vai dizendo, aqui e ali, e tudo acaba por originar uma amálgama de ideias inconclusivas, pouco esclarecedoras para a maioria das pessoas e cria-se, por fim, uma ambiência propícia ao julgamento público. Recrudesce a descrença nos políticos porque, alegadamente, algum político parece ser alvo de investigação. Generaliza-se a descredibilização da Justiça porque afirmações de responsáveis políticos parecem apontar nesse sentido. O alcance dessas reiteradas afirmações fica pouco esclarecido. E suscita dúvidas. No ar, fica a sensação que a opacidade quer tomar conta da linha bem distinta que separa os dois poderes, o político e o judicial, num estado democrático e de direito que define o país. Pressente-se que algo tende a torná-la ténue. Aos políticos, cabe o papel de respeito pelo trabalho que compete à Justiça para que o mesmo possa ser cumprido com garantia de independência, de isenção e de objectividade para o cabal esclarecimento dos factos, sem qualquer perturbação ou pressão, quer na investigação e inquérito, quer em julgamento, se for caso disso, posteriormente.
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