17Set2009
Portugal encontra-se remetido ao estado de stand-by governativo, respirando, descrente, a atmosfera de uma promessa de enganos que cada um dos partidos políticos quer oferecer. A azáfama eleitoral percorre o país de lés a lés e os líderes políticos desdobram-se para estarem presentes em todas as arruadas, sessões de campanha eleitoral, comícios e jantares que se organizam por aí. No ar, entre os partidos políticos, cruzam-se a crítica, a acusação, os erros e a inacção ideológicas, descontextualizam-se e distorcem-se afirmações. Os espaços informativos reportam os passos de cada um dos líderes, encharcam-nos com as repetitivas propostas programáticas, enfatizando as expressões que, apregoadas do palanque, mais impacto poderão causar nos eleitores, no momento da votação. Evidenciam-se as diferenças entre os principais líderes. Um proclama-se o arauto da confiança, da determinação e iniciativa e defensor do positivismo na acção. Outro apodera-se dos valores na política e revê-se como a guardiã da verdade. Um outro sustenta a clareza e coerência políticas. Ainda outro proclama a esquerda na defesa dos trabalhadores e a necessidade da ruptura e da mudança. Por fim, mais outro apresenta-se como o cruzado de uma esquerda mais moderna como alternativa de confiança política. E não faltam jornalistas experts em política, comentadores, analistas e toda uma casta de polítologos que esmiúçam, analisam, abalizam palavras e acções dos líderes e seus servidores mais directos e o resultado é a amálgama de opiniões, conjecturas, especulação de soluções políticas, concretamente inconclusivas, nada esclarecedoras para os portugueses. Estas semanas de campanha eleitoral são intoxicantes e não sei se a maioria dos portugueses ainda dará atenção aos tempos de antena concedidos, por lei, aos diversos partidos políticos. O mundo continua girando, enquanto Portugal, quase em coma, vai girando à volta da campanha das Legislativas de 2009.
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