sexta-feira, 12 de junho de 2026

 21

Set 09

Terminadas as eleições e conhecidos os resultados, só restará recordar estes versos de "A Banda " de Chico Buarque: "Mas para meu desencanto/O que era doce acabou/Tudo tomou seu lugar/Depois que a banda passou". Nunca estive tão desinteressada na campanha eleitoral, deixei de ver os tempos de antena que sempre foi meu hábito seguir em anteriores campanhas, quer legislativas, quer europeias.  As reportagens, a informação noticiosa, a análise, o comentário actualizados estão focalizados na "acção de esclarecimento" e propaganda eleitoral dos diferentes partidos políticos. Estes queixam-se da asfixia democrática, da asfixia social, da claustrofobia democrática e abusam destes chavões que por aí se ouvem. Sei que o nosso futuro está em jogo. Contudo, parece que Portugal parou a ver passar a campanha eleitoral. Atrevo-me a dizer que se vivem dias de asfixia eleitoral. Socorro, dêem-nos outros temas para sairmos deste torpor que invadiu o país!

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 28

Set 09

Não vou falar dos resultados eleitorais das Legislativas. Face ao escrutínio, a perspectiva interpretativa de cada um dos partidos políticos mais representativos,  de um jeito ou de outro, é de vencedor. Exceptua-se o PSD. Conhecidos os resultados, começou a campanha para as autárquicas. A luta agora é outra. Não faltarão as caravanas, bandeiras e buzinadas  que definirão a campanha deste, daquele ou de um outro candidatado. É a azáfama eleitoral para as autárquicas.

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23
Set 09

O Outono chega cálido, oferecendo dias ensolarados como se quisesse apoderar-se do ardor e da alegria do Verão que não pôde dilatar a sua permanência entre nós. O Outono gosta de nos encantar com as sobras que o Verão generosamente deposita em suas mãos para cumprir a data da partida que calendário lhe impõe. Entra colorido e orgulhoso, mostrando todo o esplendor das suas tonalidades ao sol ameno que se atreve a mergulhar a luz e o brilho na atmosfera outonal que silenciosamente nos vai envolvendo. Não tarda muito que o Outono, consciente de que é dono do seu tempo, afaste essa réstia de sol e nos imponha aquela ventania fria e desagradável  que se encarrega de estender, violentamente sobre o chão, um tapete de folhas secas de diferentes tons que se conjugam perfeitamente na paleta de cores que só a natureza sabe pintar. Folhas que teimam em voar e rodopiar em desespero como se quisessem resistir ao destino de serem pisadas friamente por transeuntes indiferentes ou, tantas vezes, pontapeadas ao som das vozes e do riso despreocupado das crianças nas suas ocasionais brincadeiras, a caminho da escola. Murchas pela intempérie e violentadas pela lei da vida, elas suportam a fatalidade do envelhecimento até se finarem encharcadas e putrefactas sob a chuva insistente que o Outono, no lento definhamento dos dias e como prenúncio do inverno, teima em nos presentear.

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 31

Out 09

Foi um zumbido em uníssono e orientado no mesmo sentido. Parece ter sido concertado. Deu a entender que só existe "um" vespa que reúne condições para suceder à vespa-rainha. O vespeiro precisa de uma força aglutinadora. A unidade é indispensável. Um zumbido harmonioso fez apelo "ao" vespa que tem a qualidade de grande mobilizador. Só ele mostra ter capacidade de liderança para colocar ordem no vespeiro. Em plena consonância, as vespas soltaram o zumbido clarificador, revelador do apoio "àquele " vespa que definem como o de grande valor para a eleição devespa-rainha. Terá a difícil missão de reunir todas as sensibilidades em torno do projecto de recuperação do prestígio. É o momento de reaver a credibilidade e sanar as vulnerabilidades que resultaram das sistemáticas lutas pela liderança dentro do vespeiro.

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25
Out 09

Quando alguém afirma que cresceu empapado de Cristianismo e toma consciência, define-se e aceita-se como ateu, não usufruiu do direito à dissidência? E comete alguma heresia pelas suas convicções de não crença na existência de Deus? Claro que não. O direito à dissidência e à heresia não se encontram ''escarrapachados'' na declaração dos direitos fundamentais do Homem, mas advêm do direito à liberdade de expressão e à liberdade religiosa que os países do mundo, maioritariamente tolerantes, consagram e respeitam. Liberdade de pensamento, de consciência, de expressão, de informação, de religião estão consagrados na ''Declaração Universal dos Direitos do Homem'' e na ''Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia''. Quando se reivindica o direito à dissidência, associa-se, de imediato, a não aceitação dos dissidentes e vem à memória a ex-potência que, épocas atrás, teve os seus Gulags. Certamente que vêm à mente, também, aqueles países, como a Coreia do Norte, Cuba, ...onde a repressão à dissidência traduz-se na militância constante pelo desrespeito à livre opinião e às convicções políticas e religiosas. E o direito à heresia? Estranha-se tal reivindicação! Quem lança uma heresia em relação à crença e convicção religiosa de outro, tem direito de a cometer? Se há direito à heresia, onde encaixa o dever de respeito e de tolerância pela liberdade de religião dos outros? O direito de um estaria a negar o direito do outro. O direito do herege seria um ataque ao direito de crente religioso. Tem cabimento advogar tal direito? Nos países onde o fundamentalismo religioso é tão radical e desafiante à livre expressão crítica da religião que se professa, tal questão não se põe. A blasfémia resulta em condenação e em perseguição feroz. Não se aceita a heresia. Veja-se como o Ayatollah Khomeini do Irão reagiu ao livro Versículos Satânicos de Salomon Rushdie, considerado herege e mal quisto para a religião Islâmica.
As críticas feitas à Bíblia e as considerações tecidas sobre Deus têm a importância que têm. Ficam com quem as faz. ''Coitado de quem as ouve porque quem as diz, fica aliviado''. Contudo, o escritor José Saramago acabou por reconhecer que se excedeu nas apreciações. Mas excessivo foi ouvir dizer que nos direitos fundamentais do Homem faltam consagrar os direitos à dissidência e à heresia. Haja paciência, que Deus é magnânimo! Sabe perdoar!

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22
Out 09

Será que o primeiro-ministro do governo que tomará posse na próxima segunda-feira, também falará mal da governo anterior (cessante) para se desculpar das medidas que vai ter de tomar para realmente enfrentar a crise e que não foram implementadas em tempo útil?!

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Isabel Alçada vai ter uma difícil tarefa na educação. Vai precisar de muita inspiração para levar em frente uma aventura no Ministério da Educação.  Ainda hoje  negara à SIC que havia sido convidada para tal cargo.  Será que  aceitou a sua nomeação à última hora?

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José Saramago, prémio Nobel da literatura, tem convicções e não se coíbe de as assumir, mesmo que polémicas. Como Saramago, eu também tenho convicções e gostos. Confesso que o Deus da Bíblia, que é o meu Deus, não me dotou com o gosto pelo estilo dos livros de Saramago. Mas desvalorizo este meu “défice”. Por isso, a definição que José Saramago faz da Bíblia, eu também não valorizo. As suas convicções e as conclusões que expressa não me suscitam reacção. As suas razões, eu não as ponho em causa. Seria potenciar um juízo valorativo por uma controvérsia que me suscita um interesse muito relativo, puramente informativo. O país, intelectualmente e sob o ponto de vista da religiosidade do povo português, não ficou mais rico nem mais pobre. Tanto alvoroço, tanta indignação! O prolongamento da reacção é enfadonha. Ser polémico tem a importância que tem. Isto é, importância, q.b..

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 29

Nov 09

João, tira o dedo...
o dedo do nariz!
Hoje não há baile,
oh...oh! não há, não...
o baile lá no salão.
Teimoso é o João
e não tira, não,
o dedo do nariz.
Que tal uma foto,
- o avô lá lhe diz -
assim com o dedo
bem no teu nariz?
João toma pose,
e com o dedo
dentro do nariz
põe o seu ar feliz.
Olh’ó.... passarinho.
A foto... já está!
Uma recordação,
só para ti, ó João.
Um momento assim
é tão único, sim!…
E eis aqui tudo,
tud'o qu' é preciso:
um dedo no nariz,
um grande sorriso,
e tanta teimosia
deste alegre petiz.

               RIMAS PRÓ JOÃO

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22
Nov 09

Na escola actual, os professores reconhecem que a aplicação da fórmula cega do currículo construído para um aluno “padrão” cilindra as desigualdades de desenvolvimento cognitivo, nega as vivências diferenciadas, não reconhece a multiplicidade cultural e as assimetrias sócio-económicas, despreza a existência de dificuldades de aprendizagem que podem ser mais ou menos acentuadas, equaliza o ensino para distintos níveis de desempenho e progresso escolares e, inevitavelmente, concorre para o insucesso dos alunos. São os factores sócio-económicos e a multiculturalidade que mais definem as diferenças e marcam a sociedade. Não aceitar a diversidade que existe na sociedade é apostar na contradição, isto é, numa uniformização que, ao nível da escola, compromete toda a acção e trabalho dos professores. Estes preparam-se, agora, para a extensão da obrigatoriedade para doze anos e, como já enfrentaram o desafio do alargamento da escolaridade obrigatória para nove anos, sabem que a diversidade na escola determina o ritmo de aprendizagem, diferencia a aquisição e a aplicação de competências e conhecimentos, condiciona a progressão e a avaliação de desempenho dos alunos e, sobretudo, põe à prova toda eficiência do professor, quer na luta contra o absentismo dos alunos a quem a escola nada diz, quer na forma como consegue gerir os comportamentos complicados e desafiadores daqueles alunos que frequentam a escola na base da contrariedade. A escola e os seus professores sabem que não se deve embrulhar a diversidade no mesmo currículo. Todos os alunos têm o direito ao sucesso na aprendizagem e quando os professores objectivam a necessidade de concretização dessa igualdade de direito, assumem-se, a nível da educação e do ensino, como geradores de soluções conducentes ao sucesso escolar dos seus alunos. Diagnosticados e criteriosamente identificados os traços que definem a diversidade de uma dada escola, é necessário estabelecê-los como condições orientadoras na construção do currículo “moldável” ao aluno “real”. E não o contrário. "Embrulhar" o aluno num currículo uniforme e claustrofóbico é contribuir para o seu sistemático insucesso escolar.

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15
Nov 09

Uma nova classe de gente ajeita-se, talentosamente, na política e na sociedade. De visão rápida e circunstancial, olha o momento que não pode ser desperdiçado. Agarra a oportunidade com a avidez exacta à sua desmesurada ambição pessoal e política. Sem perda de tempo, perfila-se e prepara-se activamente para não perder o comboio da democracia de que se apropria. Apercebe-se das vantagens na prestação de altos serviços ao país e ao povo e, pela democracia, vale todo o sacrifício exigido. Adapta-se, às mil maravilhas, a todas as situações. É gente que veste um disfarce de pudor e dignidade para envolver um falso compromisso democrático num gesto de  altruísmo. É a sua democracia que prevalece, muito particular, muito ao sabor da sua cobiça desenfreada. Esta nova classe de gente, bem acomodada à sombra do mundo político, oculta uma pardacenta face para, subtilmente, alcançar o propósito de colher os proventos que a engordam e as regalias que a sustentam. Não há tempo para questionamentos éticos e morais. Na prática de um cargo político, além do prestígio inerente, tem a livre movimentação nos meandros do circuito político para estabelecer a construção do “carreirismo político”, onde colhe privilégios e favores e obtém o currículo tão adequado e plenamente conseguido que lhe facilita a acessão, no futuro, a um lugar oferecido por outros poderes satélites que, tantas vezes, definham o poder do Estado. No perímetro das relações que se organizam em redor do poder político, esta nova classe de gente, em fases da sua ambição e ganância, parasita os sucessivos caciques, insiste, atinge o plano de maturação na arte de ganhar prerrogativas, de exercer influências e mover interesses. Tem a conveniente atitude de aceitação e comunhão das decisões do poder político que toda a sociedade escrutina democraticamente, respeita e crê impoluto e acima de quaisquer suspeitas. Esta nova classe de gente que vive ajustada ao tom cinzento de princípios e de valores de conduta, lança a descrença e a indignação nos cidadãos que acreditam que a verdadeira democracia se exerce na igualdade de direitos e deveres e que ninguém está acima da lei.

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 19

Set 14

Na anunciada e molhada partida do verão que nem sequer por cá andou e nem pediu desculpas pela sua ausência, são surpreendentes os pedidos de "desculpas" e a assunção de responsabilidades políticas dos responsáveis pelas pastas da Justiça e da Educação. São atitudes que, por mais humildade que deixem transparecer, não passaram de formalidades sem conteúdo direto e consequente, não repõem a credibilidade, são só para cidadão ver. Quem governa pode errar, o ser humano é falível, mas porque detém o poder executivo tem o dever de saber e conhecer, ver e entender, prevenir e evitar erros que possam ocorrer com a decisão que toma e prever as consequências prejudiciais e de difícil resolução que podem emergir antes, durante e depois que todo o processo e os procedimentos sejam iniciados. Não se exige que um governante seja um dotado especialista, mas deve entender e ter conhecimentos sobre a área que tutela. Exige-se que na sua equipa haja gente competente e não os "mártires" que vão carregar todo o descontentamento dos cidadãos quando a "coisa" dá para o torto. Quem governa deve assumir a culpas quando comete errros. Um simples pedido de desculpas não os desculpabiliza de nada. Exige-se, sim, a coragem de tomar uma atitude política, entenda-se, um pedido de demissão.

publicado por momento do café 


Desejo para dezembro

E que dezembro seja bem-vindo! O mês do frio já se sente, o espírito natalício acontece, lembra-se a família, preparam-se as festas e os doces, pratica-se a solidariedade e, por cantos e esquinas, a publicidade entranha-se num irresistível apelo ao consumismo que invade e mal se controla. Mas o melhor deste dezembro serão, certamente, os momentos de chuva que se espera que aconteçam. Sim, daquela chuva por que tanto se clama, que a seca está tão presente que o melhor "presente" para a minorar seria um dezembro chuvoso, mas sensatamente generoso. É preciso sacudir a seca que assola, e a chuva será, pois, mais que um presente tão desejado. Será uma benção. Espera-se que chegue com conta, peso e medida. O verão e os primeiros tempos do outono foram abundantes em acontecimentos e a quota de dor e sofrimento por que tanta gente passou, já transbordou. Dispensam-se chuvadas que tranbordem e façam outra tanta gente viver momentos de aflição.

Que dezembro venha, pois, por bem e para contento de todos.  

publicado por mariam/ momento do café 

 Abr 18

Completam-se 9 anos do "momento do café". Menos presente por aqui, é certo, mas permanece o gosto de escrever que não dispensa o sabor e o aroma do café.

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publicado por mariam|/momento do café

 19

Dez 09

Perspectiva-se um começo de fim-de-semana bem preenchido, agora que as férias de Natal estão a chegar. Foi a festa de Natal das crianças com 3 e 4 anos e a apresentação foi muito alegre, com expressiva componente interdisciplinar. A par da língua Portuguesa, cantaram em Inglês e Espanhol, que fazem parte do currículo de formação. A princípio, o Tiago, apreensivo, procurava na assistência a presença dos pais e quando os localizou, ofereceu aquele sorriso de felicidade. A par da participação dos colaboradores do Colégio que cantaram para os seus alunos, a festa culminou com a participação dos pais das crianças desta faixa etária que, por turma, cantaram canções de Natal para os seus filhos. No dia seguinte, foi a festa de Natal do João, estivemos presentes, incluindo a priminha. Houve canções de Natal, uma história contada pelos professores e enriquecida com fantoches e os pais, também, por turma, participaram com canções alusivas à quadra natalícia. Não faltou o Pai Natal que distribuiu balões por todas as crianças. Depois do jantar, foram ao Coliseu do Porto e assistiram ao espectáculo de Circo que os encantou. Até tiraram fotografias com o filhote de tigre e nenhum dos três se sentiu intimidado. Foi um dia tão cheio de emoções que, no regresso a casa, acabaram por adormecer.

publicado por momento do café às 01:52

14
Dez 09

A escola, no passado, com uma cultura dominante marcadamente selectiva e destinada às elites, determinou um desajustamento sócio-cultural que provocou o afastamento de muitas famílias do processo escolar dos alunos. Ainda hoje, após o surgimento da massificação do ensino, esse afastamento persiste. Pela sua experiência, os professores reconhecem que há muitas famílias que se sentem desmobilizadas, procuram demarcar-se de todo o processo educativo, tomam uma posição de total alheamento, ou então, delegam à escola a função e o papel que lhes competiria em relação à educação dos seus filhos. Convém referir, também, as famílias que vivem em permanente conflito com a escola. Mostram animosidade nas relações com a escola, transmitem um complicado envolvimento parental que, muitas vezes, acabam por influenciar, de forma negativa, o comportamento e prejudicar os resultados do desempenho escolar dos filhos. Face a casos destes, a escola deve tomar uma atitude de firmeza e, simultaneamente, de muita subtileza para gerir e ultrapassar as situações menos pacíficas. Havendo a consciencialização de que a atitude familiar exerce influência considerável em todo o processo e desenvolvimento educativo do aluno e pretendendo-se que ela seja favorável e útil, torna-se necessário e indispensável que a escola, ciente do seu papel específico no processo ensino-aprendizagem, crie um clima propício para que nela se estabeleça, sem percalços, o envolvimento parental.

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 05

Set 14

A empreitada chegou ao fim. Não foi nada fácil. Ao fim de um mês, e sob um verão que se mantém tímido, sobram o cansaço e o alívio de que tudo que havia para fazer está feito. A decisão estava em marcha e destralhar a moradia de dois pisos e o sótão seria uma obra penosa, mas de coragem. Tanta sebenta, tanta fotocópia, cadernos A4 e A5 com exercícios realizados, livros de estudo… mas era necessário aquela ação de despejo. Quanta tralha acumulada nas estantes do sótão, caixas com peluches da A., até brinquedos do João e do Tiago, chávenas de café de uma suposta coleção que o M.D. iniciou, distribuídas por cestas tipo piquenine, cheias de pó e que nunca passaram de um ajuntamento numeroso e bem poeirento. Enfileiradas nas prateleiras, inúmeras pastas de arquivo com a planificação de aulas, testes avaliação, registo de avaliação de alunos, várias caixas grandes, tipo Ikea, onde ainda foram encontrados livros do 12º do M., disketes sem conta e já passadas ao estado obsoleto, cd`s com trabalhos académicos guardados, material eletrónico por todo o lado, incluindo as gavetas dos roupeiros. Um horror! O apego afetivo às tralhas que se acumulam, ano a ano, contribui para que tomem conta de tanto espaço em casa e, depois, vem aquela pouca vontade, sempre adiada, de se fazer uma limpeza radical, um trabalho tão necessário quanto odioso. A certa altura, quando toda a ação de limpeza se torna inadiável e se vai concretizando,  os montes de papel, essa tralha “esquecida” por diferentes espaços da casa, parecem emergir de todos os cantos e sente-se aquele pó que deixa marcas escuras de sujidade nas mãos. Irrita e arrepia de repulsa. Só apetece largar tudo e, mais uma vez, adiar o trabalho de destralhar a casa. Mas como o que tem de ser tem muita força, desta vez teve de ser. E foi. Trabalho cumprido!

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11
Ago 14

Uma persistente nebulosidade vem cobrindo agosto e, em tempo de honrarias e foguetório ao santo padroeiro de uma qualquer terrinha, o que está a marcar o rebuliço do verão nacional é a queda de um santo financeiro. Nem os sons festivaleiros, a bombar por todo o lado, conseguem silenciar o estrondo que acordou a pasmaceira estival. Um grito de "sacanice" ouviu-se, tomou conta do verão, e nem o Espírito Santo, o divino, conseguiu contrariar tanto "diabolismo" à solta. Pés de barro e soou o eco do trambolhão ruinoso! Um brado aos céus! A tranquilidade dos dias de veraneio foi quebrada desde que um santo financeiro perdeu a tramontana e é ver o burburinho que corre. Um espírito do mundo financeiro caiu do altar com desmedido impacto que cavou um buraco descomunal. A poeira tóxica que levantou é de tal perigosidade que muitos, uns gananciosos e outros incautos, jamais verão o "cacau" que investiram. O tal espírito, santo que pululava entre os mundos financeiro, económico e o poder político, vai procurar uma saída airosa. Será mais um momento déjà vu porque os da avidez pelos ganhos e os tristes enganados, tão confiantes nas lides da alta finança, arriscaram e perdem milhões, apanham os cacos da ganância e aprendem que os santos financeiros não fazem milagres, mas que há talento para o engodo. E, de toda a situação que atravessa este verão tão arredio, sobrou um bad bank para além do santo da tramoia dos milhares de milhões e dos tramados pela ganância. A procissão ainda vai no adro e os anjinhos do costume já receiam que, mais uma vez, tenham de pagar o prejuízo que resulta de tanta desfaçatez. 

publicado por momento do café às 09:48
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17
Jul 14

Enquanto o verão acontece, o maior partido da oposição, em atitude de entendimento interno inconseguido, enfrenta a disputa pela liderança. Desgasta-se, que o tempo de decisão quis-se demorado. As inscrições para as eleições primárias já decorrem, marcam o tempo, o que cumpre o calendário e o que desenha o verão e, em plena silly season, que parece que já não é o que deveria ser, capitalizam-se eleitores. Há uma luta que atravessa o costumeiro marasmo político de verão, quando relógio do tempo não para, nem se compadece com as incertezas de um destino político traçado ao longo de uma fastidiosa linha temporal que se quer ver cumprida pelo Partido Socialista (PS), dividido entre os apoiantes do líder e os do candidato seu concorrente. Disputa e dúvidas vivem-se no PS. Tempo consentâneo com certas manhãs de julho que emergem do nevoeiro denso que desce e esconde o sol, pouco seguro, que não corresponde aos anseios das gentes, que não se decide a dar um ar do seu brilho e da sua força. Tudo segue temporizado até que as eleições primárias se consumam, então, sob o respiro outonal e para que delas emane o vencedor, o próximo líder, o mesmo ou o novo, o candidato a primeiro-ministro.

*Em destaque no Blog dos Blogs do Sapo, em 20-05-2014

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Os chumbos do Tribunal Constitucional marcam a dramatização e a hipocrisia do Governo. O Primeiro-ministro afirma que não se pode estar em permanente sobressalto constituicional. Mas quem aprova as medidas que, à partida, não vão passar no crivo do Tribunal Constitucional (TC)? É a maioria parlamentar que sustém o governo. E pasme-se! O drama! Que preocupação com os Funcionários Públicos (FP) porque, face à decisão do TC, em Junho, certamente, não vão poder receber, a tempo, os salários e subsídios de férias. Quanta pena o governo mostra pelos FP! Que hipocrisia! Quando os esbulhava, nunca se preocupou com a diminuição dos rendimentos devido aos cortes e, também, aos retroativos, no caso de acontecerem, e que eram processados de imediato. Quer lá saber se os FP podem contar com os salários e os subsídios de férias, atempadamente, neste mês de junho! Desejava, talvez, que os FP, pelo previsível atraso no processamento de salários e subsídios, ficassem revoltados com o TC. E, como o Governo está tão sensibilizado, a sua ampla base de apoio parlamentar pede a aclaração do acórdão aos juízes do TC e, assim, pode contribuir para o atraso que pode acontecer! O impasse! Mas nós, os portugueses, não podemos viver neste "sobressalto permanente". Qual é o plano B que, afinal, o Governo tem de apresentar à Troika em substituição das normas chumbadas e que outros sacrifícios nos serão pedidos? Acredito que esteja preocupado com o cumprimento da saída limpa que prometeu, com o encerramento da 12ª avaliação que fecha o programa de resgate, com a queda da economia no 1º trimestre deste ano, e há que ter em conta, também, a reação dos mercados financeiros e a análise e notação das agências de rating perante estes chumbos. Estamos metidos numa saia justa, mas não podemos imputar as culpas ao TC, que cumpre a sua função. Contudo, confesso que até me passa pela cabeça que o Governo, embora afirme que não vira a cara aos obstáculos e às adversidades, possa dramatizar que o país está numa situação ingovernável e, por isso, até possa aspirar por eleições antecipadas. Oh, oh! Enquanto o Partido Socialista anda entretido com a história das eleições primárias, até vinham a calhar...

Em destaque no Blog dos blogs do SAPO:

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publicado por momento do café às 09:10